06 de Janeiro – Terça-feira

Hoje aconteceu o inesperado. Eu fui para o Bar Lafaiete com um texto para ler, pois esperava que não acontecesse nada. E encontrei conhecidos no bar, na verdade encontrei uma conhecida (Darci) com outras três amigas. Isto não deveria ser tão inesperado pois deverá ocorrer outras tantas vezes, mas é que eu não tinha pensado nisto e não esperava.
Elas são freguesas contumazes, conhecem o dono, pois trabalham nas imediações. E me apresentaram o Lafa. E ele é uma história, conversou comigo e me contou seus casos.
Ele não se chama Lafaiete e tem este apelido por ser de Conselheiro Lafaiete. Tinha bar desde que morava lá e, quando se mudou para Belo Horizonte, em 1970, continuou nesta atividade.
Já teve bar em outros locais em BH e mudou uma vez porque no local sempre alagava. Já teve bar perto da Escola de Odontologia e chegava a fechar a quarteirão para atender a todos os estudantes, “a rua ficava branquinha” por causa da roupa dos estudantes, disse ele. Foi convidado, em 1978, para ser paraninfo da turma de Odontologia daquele ano. Na formatura leu um discurso que escreveram para ele e me prometeu o discurso se ainda o encontrar.
Mora em um prédio em frente ao bar. É um profissional, muito simpático, sabe fazer o que faz e o irmão dele (um pouco parecido com ele, mas sem a simpatia dele) também trabalha lá.
Recebeu, em 2007, o título de cidadão honorário de Belo Horizonte, que ostenta, com muito orgulho, que mantém pendurado na parede da entrada do bar, junto com a foto tirada na ocasião. Mandou alguém buscar o álbum de fotos em casa e me mostrou as fotos junto a Elaine Matozinhos (que propôs o título), Alberto Rodrigues (locutor da Rádio Itatiaia) e outras pessoas que esqueci o nome.
Nas fotos estavam seus dois filhos, a ex-mulher, a namorada, os funcionários, os amigos e ele, às lágrimas.
Ele é sem dúvida, uma das grandes figuras deste ramo em BH, que encontrei por acaso, como quem tropeça com um diamante.
As mulheres conheciam o Gêra, o Gururu, a Elizete; não tive como resistir e, incorporando o espírito do Gêra, paguei a conta. Fui ao banheiro com o propósito de pedir a conta longe da mesa. Chamei o Lafa e pedi a conta. E ele me perguntou, com classe: “Você quer pagar a conta discretamente? Eu disse que sim, ele foi lá fora, contou as garrafas e me entregou o valor. Discretamente. O cara sabe tudo.

Bar Lafaiete

Bar Lafaiete

Uma resposta para 06 de Janeiro – Terça-feira

  1. Esse é o problema, rsrsrs…quem não conhece o Gêra nessa cidade? E olha que nem blog ele tem, imagina se resolve?

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