Por sugestão de um seguidor fui atrás de um bar no Santa Efigênia que vende uma cerveja que fica envolvida por uma névoa branca quando aberta. E entrei pela porta da esquina da Rua Tenente Garro 270, esquina com Tenente Anastácio Moura, atravessei um salão pequeno, cujo teto baixo aumentava o volume das vozes das pessoas que o enchiam e fui direto ao balcão no fundo.
Lá estava um senhor lavando uns copos e eu não tive dúvida que ele era o Marquinhos e arrisquei: – Marquinhos, uma cerveja e uma coca zero. E ele – que era mesmo o Marquinhos – respondeu que tinha Brahma e Skol, mas não tinha refrigerante naquele momento e que eu poderia comprá-lo no bar em frente.
Sábio esse Marquinhos! Afinal de contas ele não vai gastar espaço na sua geladeira com essas porcarias! Deixamos o refrigerante para lá e, não sei devido às condições climáticas ou a outras questões metafísicas, não pude observar a tal névoa branca. Percebi sim, cristais de gelo na espuma da cerveja, indicando que a geladeira do Bar do Marquinhos está em perfeita forma – apesar da idade dela – garantindo uma temperatura adorada pela maioria dos bebedores de cerveja, seja qual for a temperatura ambiente.
Para minha sorte encontrei um freguês assíduo – Carlos Alberto – que me ciceroneou o tempo todo. Conseguiu uma mesinha onde pude colocar a Paleta de Porco com mandioca cozida (R$4,00) e a minha Skol (R$3,50) que eu tentava equilibrar numa caixa de correio instalada na esquina, no passeio.
Paguei mais R$4,00 para uma porção de lingüiça com mandioca e R$0,80 por um jiló. Não provei a salsicha a R$1,00, nem a porção de queijo a R$3,00, nem a porção com pertences de feijoada já que nesse sábado não tinha sido feita.
Carlos Alberto me contou ainda a história do Conde de la Morte que tinha um salão de barbeiro lá perto, se vestia todo de preto, usava sempre uma capa preta e dormia dentro de um caixão de defuntos, ao lado do caixão onde dormia a sua esposa, a Condessa de la Morte. Contou-me ainda que o lugar é freqüentado, há 19 anos, basicamente por amigos e não serve para paquerar pois a grande maioria é de homens e que a paleta é ideal para um petisco por não ser muito gordurosa.
Para garantir preços tão baixos o Marquinhos não tem garçons e prepara tudo com antecedência que fica nas 4 grandes sobre um fogão na cozinha. Ele sabe que a temperatura da cerveja é importante, bem mais que a temperatura dos petiscos, que às vezes chega à mesa abaixo do esperado.
O Carlos Alberto – nascido no bairro e conhecedor de muitos butecos na região – prometeu me dar outras dicas e me fez entender uma outra característica básica de um buteco. Tem que ser barato pois um freguês de buteco vai ao buteco todos os dias e não pode gastar muito dinheiro, não pode se dar ao luxo de pagar R$20,00 em uma porção, nem R$6,00 em uma cerveja.
Essa é a filosofia e a lógica de buteco!

Grande Augusto. Você e seu blog enobrecem o verdadeiro Comida Di Buteco, sem jabalândia e marketismo…ha ha ha
Abrs e bom fígado para continuar na luta.
Augusto, já fui algumas vezes nesse buteco, acompanhada de meu pai, e lembro que ele costumava servir uma maçã de peito muito boa!!!
Abraço
Adraina,
encontrei com seu pai na festa de Salinas, sábado passado, e ele me disse isso mesmo.
Tem sim, essa maçã de peito. O Marquinhos me falou dela.
Um abraço,
Augusto
Silvio,
obrigado pelo comentário.
Vamos em frente.
Um abraço,
Augusto
Augusto, que bom que foi conferir a minha dica. A maçã de peito acompanhada de batata cozida é o carro-chefe do Marquinhos. É raro você ir lá e não encontrá-la. De segunda a quarta-feira depois das 18h, já que ele abre nos dias de semana a essa hora, é melhor de ir e dá até pra encontrar um lugar ou outro na mesa de alguém. Como é pequeno o lugar, é muito comum os freqüentadores dividirem a mesa, mesmo que um não conheça o outro. Outros petiscos muito apreciados lá é a almôndega no molho de tomate e a carne moída ou pedaço de frango ao molho com angu quente e mole. Buteco é como igreja, você tem tem que ir várias vezes para conhecer todos os dogmas. No Marquinhos, por exemplo, já comi frango com ora-pro-nobis e angu de fubá de moinho de pedra, tudo saindo do fogo, pelando. Divino. De se comer ajoelhado.
Amplexos.
Ah, me esqueci de dizer que os preços são sempre módicos e sempre me refiro ao Marquinhos como o bar mais barato do mundo. Dez reais lá é uma festa.
Augusto,
Estive lá no sábado e pude conferir esta maravilha de butequim, com preços bem camaradas, simplicidade e comidas saborosas, com cara de tira-gosto feito em casa. Comi um delicioso caldo de inhame, além de linguiça com mandioca e uma bela caninha “genérica”, mais 3 Brahmas e paguei 18 reais. Uma pérola!
Eugênio, quem faz todos os tira-gostos é a mãe do Marquinho, cozinheira das antigas e de mão cheia. Abraços.
Ah, a mãe mora em cima do buteco.
Marcelo,
isso é para provar que atrás, nesse caso é encima, de todo grande homem existe uma grande mulher.
Augusto
Eugenio,
é isso aí. Uma pérola! Um diamante.
Augusto
Assino embaixo de todos os comentários, apenas corrigindo o nome do Conde que dormia no caixão: “Conde de Bela Morte”. Boteco também ´c cultura, abs. Ass: Das Antigas
Assino embaixo de todos os comentários, apenas corrigindo o nome do Conde que dormia no caixão: “Conde de Bela Morte”. Boteco também é cultura, abs. Ass: Das Antigas