Bar da Fida – 1/1/2009

Dia primeiro de janeiro não é um dia bom para fazer um happy-hour, é um feriado e falta a coisa principal que o trabalho, já que um happy-hour é tanto melhor quanto pior for o dia de trabalho. Mas eu estava com muita vontade de inciar esta atividade e resolvi começar hoje mesmo.
Não foi muito fácil encontrar um bar aberto, mas andando pelo Santo Antônio encontrei o boteco que eu precisava. E fica muito bom começar, ou seja, fazer a inauguração, em grande estilo, neste bar porque ele simboliza a resistência neste primeiro dia do ano.
Fica na Rua São Domingos do Prata 479. Não tem placa, não tem nome pelo lado de fora ou pelo lado de dentro. Sempre passava na porta dele quando voltava da casa de D. Maria, após ter guardado meu carro na garagem dela, e lá estavam os mais dignos representantes de um happy-hour. Firmes, sentados nas mesas (nas cadeiras) na calçada.
Este bar me assustava um pouco porque parecia um bar de amigos muito próximos que não queria estranhos. Qaundo eu passava por perto, todos me olhavam como me recussassem. Pensava que, talvez, fosse falta de assunto para aqueles que se reunem sempre e já gastaram todo o assunto e ficam olhando em volta atrás de assunto. Mas agora descobri: é que lá é um bar de atleticanos, com fotos, escudos, canecas, tudo do Atlético dependurado na parede. Eu sentia no ar que era terreno inimigo.
Durante a procura, estacionei o carro, passei entre as mesas cheias de homens e entrei no bar à procura do dono. Não tinha ninguém atrás do balcão. O dono estava onde um dono de boteco que se preza deve sempre permanecer: sentado com seus fregueses. Gostei.
Compareceu a nata da diretoria para a inauguração: Cristina, Daniel, Gera, Chico, Humberto, Marcos e Pedro. Foi um dia especial, longo como convém a uma inauguração. Tudo cercado de formalismos: Marcos me entregou o cartão do Banco Itáu de papai, pois eu estava recebendo os documentos para controle das contas, neste ano.
O primeiro a chegar foi o Dani e pediu uma pinga. A dona do bar, uma senhora de uns sessenta anos, primeiro lhe aconselhou a não beber cachaça e como ele insistiu, perguntou a idade dele e a documentação que comprovasse os declarados 23 anos. Com a comprovação e a descoberta que se tratava de meu filho, ela trouxe uma dose de Seleta. Merecemos comentários da mesa ao lado: o pai bebe água e o filho bebe cachaça!
Na única outra mesa da calçada, ocupada por 4 bebedores profissionais, falavam de tudo: de uisque, da enchente do Arrudas na noite anterior que matou gente, de parentes do interior, que a Indaiazinha – que custa R$90,00 no Mercado Central – era a melhor cachaça, que o ano mal tinha começado e o dia já estava acabando. O que resta devidamente comprovado que em mesa de boteco também se filosofa. Terminaram, pedindo em voz alta, para a dona do bar, com: “Tira esta reza!” quando o rádio tocou a Ave-Maria, às 6 horas.
Como se tratava de uma data solene, banquei a conta (R$48,60) de 9 Bohemias, 1 Seleta, 3 águas, 1 refrigerante, 5 salgados, 2 chips, 4 peles, 1 fósforo e 3 cigarros de palaha.
Gêra propôs irmos ao Carnaval do Rio já que o tema era Machado de Assis e Guimarães Rosa e passarmos o Reveillon de 2009 para 2010 a bordo de um navio, o que foi aceito por todos, de imediato. Cumprir é que são outras.
Quando cheguei ao bar, sozinho, não tinha nenhuma mesa vazia. Pedi para colocar uma mesa na calçada e a dona disse que eu poderia utilizar a mesa que já estava na calçada e que estava sendo usada por apenas um homem, que nada bebia ou comia. Ela me disse: quando chagarem as outras pessoas eu peço a ele para sentar em outro lugar. O homem era um senhor de uns 60 anos, bem vestido e que não aparentava estar bêbado. Ficou um pouco na mesa e saiu da mesa, logo que daniel chegou. Andou um pouco pelo bar, não conversou com ninguém, comeu peles, foki ao banheiro algumas vezes e depois foi embora. Trata-se das figuras clássicas de bares que moram nas imediações dos bares, ficam sentadas por longos períodos, ouvindo as conversas, desfrutando do ambiente. Com certeza, verei muitas outras.

Bar sem nome

Bar sem nome

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3 Respostas para “Bar da Fida – 1/1/2009

  1. Muito Bom! Vou estar em um dos happy-hours em breve!
    Corvo

  2. Não estive presente neste dia por causa da minha dissertação de mestrado, em andamento.
    Mas resolvi postar alguns comentários a posteriori, então venho dizer que o melhor é olhar pra trás e descobrir o que foi uma novidade em 2009. Este blog, com certeza, está ganhando…se até dezembro ele continuar no ritmo que anda, será o vencedor. E eu pretendo comentar todas as saídas deste meu cunhado, ainda que com essa atividade ele acaba me privando de alguns momentos com o Gêra…mas considero a causa justíssima…acho que mais vale um Augusto blogando do que uma Juliana em casa, rsrsrs (quer dizer, nem sempre…)

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