26 de Janeiro – Segunda-feira

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Vocês imaginam o que significa um cara, quase completando 57 anos, ir no médico e ouvir o médico dizer que tem disfunção tubária bilateral e curva tipo PAIR e que isto foi detectado no exame de impedanciometria? Não? Pois foi isto que eu escutei na semana passada. Traduzindo: estou com perda auditiva por conta desta disfunção tubária. Parece nome de doença de mulher, mistura de tubo com ovário.

Ter esse negócio não é nenhum problema; acontece que o otorrino disse que eu estou com uma alergia no ouvido e tinha que tomar uma caixa de Clarintin, um comprimido por dia. Pensei, e agora? Como combinar uma caixa de remédio com cerveja? Fiquei mudo, quase em pânico e não falei nada com ele. Pensei com meus botões, “essa caixa deve durar uns três dias e dá pra conciliar”.

Ao comprar o remédio não consegui evitar a pergunta “vinte?” quando o atendente da farmácia me disse quantos comprimidos tinha na caixa. Eu tinha ouvido muito bem, mas a pergunta inteira era: – Eu vou ter que ficar vinte dias sem beber? – Expus o meu problema para o atendente e ele me tranqüilizou: – Você pode parar de beber quando passar o sintoma. – Respirei um pouco mais aliviado.

Em casa, em consulta com o dr. André, formado em direito, mas com pós-graduação em buteco, praticamente resolvi meu problema, quando ele explicou que este problema de beber enquanto se toma remédio é apenas uma questão diurética. Como vou tomar o remédio de manhã e beber à noite não tem problema, já que à noite o remédio já não está mais fazendo efeito. Ah! Bom!

À noite, pra desencargo de consciência consultei o Chico que me explicou de uma forma mais técnica como se dá esta alquimia entre álcool e remédio e disse que não tinha problema algum. Mas acrescentou: – Não estou lhe falando como médico e sim como colega de buteco. Ah! Entendi!

Por esta razão desde sexta-feira estou com o freio de mão puxado e vou assim até dia 4 de fevereiro. Decidi seguir os conselhos apenas dos dois doutores e acho que aquele atendente de farmácia não sabe é nada; vou tomar a caixa toda.

A passagem, hoje, pelo Bicho Papão, na Viçosa com São Romão (a rima não é minha, está escrito desta forma na parede externa do bar), localizado na Rua Viçosa 479, no São Pedro (tel. 32969792) foi apenas para tomar uma latinha na companhia de uma porção de língua de boi (estava meio fria, mas o tempero estava bom) enquanto a Cristina bebia uma água.

Este bar recebeu há uns anos atrás, uma turma, freqüentadora assídua da Mercearia Lili, que não agüentou o mau humor do Dias e se transferiu em peso para lá. Uma dissidência, um racha. O bar tinha tudo para ser um sucesso, pois fica em uma esquina bastante movimentada do São Pedro, mas a Rua Viçosa tem um canal coberto e esta famosa esquina é o ponto mais baixo dos quatro pedaços de rua que a formam. O fato de ser um ponto baixo provoca um mau cheiro que sai dos bueiros e chega às mesas das calçadas, onde me sentei.

Os ônibus que descem a Viçosa em direção ao centro têm que acelerar para encarar a subidinha, após o semáforo, largando fumaça na cara dos se sentam nas mesas do lado da Rua Viçosa. Lá dentro o ambiente é agradável, mas um pouco barulhento.

Recomendo apenas para quem quiser se sentar dentro do bar e, mesmo assim, fora do horário do rush. Gostaram da seriedade, do profissionalismo e do rigor das informações?

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6 Respostas para “26 de Janeiro – Segunda-feira

  1. veja pelo lado bom: butecos barulhentos não serão um problema; e nem mineirenses buzinando quando ganham alguma coisa; se bem que isso nunca foi problema…

  2. Pode até ser que a surdez seja culpa da tal doença, mas eu, como bom médico que sou, ainda acredito que seja culpa da Itatiaia.

    É o dia inteiro com o fone de ouvido. Num volume… Quando chega na portaria do prédio, a gente já sabe que tá chegando em casa.

  3. O dignóstico do Dr. André me parece o mais sensato.

    Inclusive, isso só confirma a minha suspeita de que o Dr. Deco é um otorrinolaringologista.

    Por exemplo, quando eu machucei a minha orelha na briga do bar do Cruzeiro ele, como toda a sua sapiência nos vários anos trabalhando com medicina, disse: “Não se preocupe, o importante é que nao pagamos a conta!!! ”

    hehehe

  4. Augusto a fumaça na cara até que não tem problema não, o pior será se o motorista perder o controle da direção e levar uma meia dúzia agarrado no parachoque.
    Quanto ao atendente da farmácia, ele está querendo que voce se torne um frequentador assíduo da farmácia, se voce parar de tomar o remédio quando melhor, a crise vai voltar mais forte e aí ele vai te ver lá novamente para lhe vender mais remédios.

  5. Augusto, se você consultasse o Gêra ele lhe diria que se a cerveja não atrapalha a insulina, não atrapalha mais nada, rsrsrs…

  6. Essa lista dos butecos ao lado foi boa pra recordar e ler uns comentários (da comentarista do passado) que tinham ficados perdidos por ai.

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