Arquivo do dia: 23/03/2009

21 de Março – Sábado

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         – Mas este não é o Bar da Nerilda? – vocês devem estar se perguntando. Mas apenas quem nunca foi ao Bar do Luiz, vizinho do Bar da Nerilda, faria estava pergunta, porque o balcão montado no passeio, no qual nós todos estamos apoiados, não deixa nenhuma dúvida.

         A bem da verdade, devo confessar que o Bar do Luiz, localiza na praça principal de Rio Acima, já teve dias melhores, quando era o próprio Luiz quem cozinhava e servia. O melhor era ouvir do Luiz que podíamos dar uma voltinha e voltar em vinte minutos para receber o tropeiro que acabara de ficar pronto, com arroz ainda saindo fumaça.

         Ele servia, no máximo, dois pratos da safra que costumava ter macarrão com sardinha, tropeiro, frango com chuchu, pescoço de peru com ora-pro-nobis, mexido e mais uns dois. Agora, ou arrendado ou sob a administração do filho dele, pode-se comer até espaguete na chapa. O mexidão que comemos hoje, coberto com um big ovo frito, estava gostoso, mas estava frio e o torresmo não estava dos melhores.

         A turma que me acompanhou é nova, no acompanhamento e na idade, são amigos do Daniel; ele está ao lado da Helen (namorada) e os outros são o João e a esposa Sio e o Bernard que é Bené.

Todos estamos no passeio, só que eles estão do lado de fora do bar e eu estou do lado de dentro do bar. É isso mesmo, por falta de espaço o balcão do bar é montado no passeio (à noite, por exigência da prefeitura, é desmontado) e os fregueses ficam na pontinha do passeio. Não tem mesas e muitas pessoas da cidade compram a comida em marmitex e levam para comer em casa.

         Alguém podia fazer um samba assim: “Não deixe o boteco morrer, não deixa o boteco acabar”.

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20 de Março – Sexta-feira

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         A vida não é fácil não, mesmo. Tive que descansar ontem porque, hoje, já tinha o aniversário da Marina. E os aniversários dela começam cedo e não terminam antes das três horas; este ano não foi diferente. O convite prenunciava o que estava por vir: “Comida de Buteco”.

         E no salão de festas do prédio dela, um conjunto de samba, com quatro negros e um branco, vestidos com calça branca, sapato branco, chapéu branco e camisa listrada, já estavam tocando o violão, o cavaquinho, o reco-reco, o pandeiro e o tamborim quando cheguei.

         Pouco antes do parabéns Cibele deu uma canja e lembrou que quem tinha inventado o amor não era ela, nem ninguém. Cantamos o parabéns, ela cantou Marina (do Caymmi, gente!) e eu não me contive e fiz o finalzinho de Cordas de Aço. Pena que o Samuel Rosa já tinha ido embora, senão íamos pedir outra canja. Até Humberto se entusiasmou e fez uma, diríamos, performance que ficou prejudicada pela qualidade do microfone. E Gêra, cantou o que sabe, ou seja, a versão pornô de Águas de Março.

Tivemos um final clássico com Gera mostrando as suas habilidades de passista e  depois, tirando a camisa e fazendo aquela performance erótica, na qual ele passa a camisa por entre as pernas enquanto a esfrega nas partes baixas, puxando uma extremidade e soltando a outra; a explicação não está boa, mas me eximo de dar mais detalhes pois todos vocês, que já foram em aniversários da família, sabem do que estou falando.

Se fosse avaliação de escola de samba eu diria que o chopp do Albanos e o pernil eram os destaques e tiraram nota dez. A decoração, com  balcões, onde se servia chopp e batidas, e mesas mostrando a tábua com cadeiras forradas de chita, seriam as alegorias e repetiram o dez.  O samba enredo, 9,95 (vá entender a cabeça dos jurados!). A escola entrou fria na avenida, mas esquentou no final: nota 9,95. Cumpriu rigorosamente o tempo e a dispersão se deu sem nenhum problema; dez.

O quesito originalidade (quem é o desavisado que ainda não foi informado que o quesito originalidade vai ser introduzido  no próximo ano?) foi observado no Parabéns onde Marina sentada em um banquinho, recebia as palmas carinhosas do Chico e a vela improvisada do Leo, enquanto filmava; filho é para isso: assoviar e chupar cana.

         A escola foi campeã e se nós fôssemos do high-society, os aniversários da Marina, todos, estaríam nas colunas sociais dos jornais de todo o país.