Arquivo do dia: 10/04/2009

10 de Abril – Casa da Marlene e Teresa

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Querem saber onde comi a minha bacalhoada de sexta-feira de páscoa este ano? No mesmo lugar em que como, há quase vinte anos. Estão pensando que estou falando do Restaurante do Porto, do Verde Gaio, do Dádiva  ou Porcão? Ledo engano. Fui novamente à casa da Marlene e da Teresa na Rua Levindo Lopes, estabelecimento que frequento a mais de trinta anos e no qual tenho cadeira cativa e carteirinha de sócio agregado.

Frequento este local desde quando funcionava, no endereço original, na Rua Pouso Alegre, no Horto. Na ocasião não me ofereciam o serviço de restaurante, apenas os de café dominicais vespertinos; é que lá aceita-se clientes novos com muitas reservas e com muito vagar.

A especialidade original era o café nas tardes dos dias de natal, quando se juntava toda a família para, sem nenhuma reza introdutória ou posteritória, consumir as tortas e salgados preparados pela Marlene. Esta atividade comemoratória foi estendida para festejos de aniversário de sobrinhos desgarrados e almoços de natal, páscoa e visitas de parentes distantes.

Agrada-me muito a frugalidade dos pratos salgados que são servidos quase sem sal, devido à prática prevencionista para doenças coronárias. Rigor este que não é seguido quando se trata dos pratos doces, quando aperecem o pudim de leite condensado, o sorvetão e as sempre duas tortas, tamanho família. Para ajudar sempre levamos um bom pedaço das mesmas para comermos no dia seguinte.

Levei um Cabernet Sauvingnon argentino, o Terrazas, que nos auxiliou na degustação do bacalhau à moda da casa, acompanhado de arroz, torradas e molho de pepino, com salada de frutas de sobremesa. O André ficou responsável pelo click da máquina nas donas do estabelecimento, Marlene e Teresa, na irmã delas e minha sogra, nas sobrinhas Regina e Cristina e na sobrinha-neta Marília.

Nunca foi o forte da casa, o serviço de bebidas alcoólicas. Cervejas aparecem apenas em ocasiões especiais, em quantidade e temperatura sempre abaixo do necessário. Atualmente, mesmo o café só sai quando solicitado.

Marília, hoje, convidada especial, ficou assentada na cozinha observando como se organiza uma pia após o almoço. Ela não foi informada oficialmente, mas, da próxima vez, ficará responsável por esta atividade.

Boa Pácoa a todos!

09 de Abril – Urca

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Urca, assim mesmo, Urca; não posso dizer que seja a Urca ou o Urca, pois não está claro se é um restaurante ou uma chopperia. Não sei como convidarei alguém, quando quiser propor este local. – Vamos em Urca? – será que terei que falar assim quando estiver com vontade de voltar à Rua Felipe dos Santos 402, na esquina com a Praça Marília de Dirceu, em Lourdes?

Penso que preferiram não rotular o local para conquistar um número maior de fregueses; não apenas aqueles que procuram um bar ou que procuram um restaurante, mas todos.

Tudo foi escolhido para dar um ar carioca ao lugar; começa com o nome do morro que abrigou nas décadas de 50 ou 60 no Rio um cassino para shows musicais, continua com os nomes das bebidas e dos pratos que sempre fazem referência a temas musicais e termina com uma decoração de fotos que lembram as vedetes.

Aliás, pode-se perceber que tudo lá é calculadamente planejado. O projeto das arquitetas Lígia Jardim e Fernanda Sperb encontrou um salão maior que fica próximo ao balcão com mezanino e uma varanda aberta (reservada para fumantes). Apesar de estar sem meus “puros” optei (pude escolher porque cheguei cedo) por me sentar nesta varanda, no ponto em que a rua encontra com a praça e ficar, sozinho enquanto aguardava os  convidados, ficar admirando o movimento da praça. Praça que tem bancos com casais namorando, bustos, jardins, brinquedos para crianças como qualquer outra praça e que eu só pude notar sentado naquela varanda, pois a praça é elavada e sempre passo por alí de carro.

Não esquceu de projetar um teto acústico que reduz muito o barulho interno e dá conforto a quem bater um papo. Este projeto deve viabilizar os programas musicais “Segunda de Primeira”, com música ao vivo que garante colocar um pouco de sexta na sua segunda e o programa da terça-feira com música de DJ. Nos outros dias, telões mostram shows, como em qualquer outro bar, que servem mais para criar um barulho interno que entreter os clientes.

Os banheiros e elevadores para portadores de necessidades especiais, o filtro eletrostático que impede entrada de cheiros desagradáveis no ambiente, o dicionário de termos guloseimáticos num muito bem cuidado cardápio, o fechamento lateral da varanda para os momentos de chuva ou de calor intenso (aí entra o ar condicionado) mostram alguns outros cuidados das projetistas.

A “carta musical de chopp” é mais bonita que boa. O chopp é Brahma e a variedade é a mesma do Redentor (os donos são os mesmos), ou seja, fazem dez chopps que é uma mistura dos claro e escuro, que custam por volta de R$4,00. Comecei com o escuro Remelexo, fui para o Beijo da Mulata e voltei para o Remelexo. Preferi não me ariscar no Cartola, ou na Pequena Notável, ou na Musa do Poeta e em outros com nomes deste tipo.

Escolheram um filé com passas e uma porção de batatas fritas em bolinhas servidas em um embalagem de queijo parmesão. Tudo de bom!

De segunda a sábado perde a pose e é um restaurante self-service com balança a R$2,89 por 100 gramas e nos domingos e feriados serve um buffet a R$22,90 por pessoa.

Vamos parar com os elogios e me deixem destilar um pouco o meu fel. Nada contra os paulistas, mas a tentativa de cariocar o lugar esbarra num profissionalismo que lembra os paulistas, um profissionalismo que vai além da intenção de servir bem e chega na intenção de vender muito. A pergunta que o garçom me fez logo que, sozinho, me assentei – O senhor quer escolher um vinho, um espumante, um uísque? – e que foi repetida quando terminei de beber minha água, já me incomodou muito mais, naquela época em que não tinha dinheiro para isso, mas continua me aborrecendo. Nunca vou entender que, um garçom colocar um chopp na sua mesa sem você pedir ou antes de terminar o anterior, seja qualidade de serviço.

        Mas tive que escolher um local assim para o Hh pois o convite para sair ,tinha sido feito pela maior autoridade em acústica do país, o Professor Vecci e sua esposa, que detestam lugares barulhentes.