Arquivo do dia: 18/04/2009

17 de Abril – Aconchego da Floresta

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A Vilminha e o Humberto passaram no meu apartamento para darem uma carona para mim e Cristina e decidirmos aonde iríamos hoje. Para molhar a conversa, ele trouxe um espumante francês, Kraemer, branco e brut e castanhas do Pará que ele trouxe de Fortaleza, especialmente para este momento. Não sou partidário de mudanças de regras no decorrer do jogo, mas situações como estas deviam estar previstas e deviam valer dois pontos no concurso do automóvel.

Ele sofisticou o início da noite, pois decidiríamos em qual dos 41 butecos da Comida di Buteco iríamos hoje; afinal começava hoje este circuito. Depois de muitas confabulações optamos pelo Aconchego da Floresta, que lá na Floresta, na Rua Alabastro, 38 (3461-5340).

Para nossa surpresa não estava lotado e não tinha fila de espera. O bar funciona num salão grande que deve ter sido a garagem e o jardim da casa e o barulho das conversas nos assustou quando entramos pelo portão de correr e pensamos: “Onde foi que fomos amarrar nossa égua”. O Gêra e a Juliana chegaram antes que conseguíssemos fazer com que o garçom sequer se aproximasse da mesa e logo, logo, estávamos adaptados ao ambiente.

É o quarto ano que participam da Comida di Buteco (05, 06 e 07) e não aprenderam que é necessário aumentar o número de garçons neste período; eles simplesmente não apareciam. Para beber uma cerveja era necessário ir ao balcão e praticamente implorar. Estávamos todos muito pacientes e levamos esta dificuldade numa boa. Mas a nossa nota de avaliação do atendimento foi, em média, 3 por causa disto.

Melhor nota, nota 8, teve o prato (Papo Furado) que era moelinha defumada com muçarela, couve rasgada e molho especial, acompanhado de pão. O molho tinha uma picância (não pensem mal, refere-se a picante) que não conseguimos descobrir de onde vinha e, praticamente dispensava a pimenta, deixando a moelinha sem aquele trava na língua. E era servido com rapidez, pois a preparação consistia apenas em colocar a couve e a muçarela na moela que já estava pronta em um grande panelão. Não me lembro de ter comido moela com esta qualidade. O prato custa R$16,00 e saiu por R$8,00, pois serviram dois e só cobraram um; nós já tínhamos decidido que não reclamaríamos de nada, nem a favor nem contra.

Isto tudo ficamos sabendo somente depois que a Cristina foi ao balcão e abduziu uma porção de batatas fritas, dizendo que levaria aquela porção que era dela e que estava esfriando no balcão. Não era dela e nem veio na conta. Alguém certamente reclamou do atraso e da conta. Cristina já não é mais a mesma.

Tivemos que ficar com as Bohemias e as Brahmas Extras (nove delas), pois o garçom informou que as Serras Malte ainda não tinham sido entregues. Pode-se considerar como propaganda enganosa todos os cartazes desta cerveja, afixados nas paredes, a nos excitar. Mas foi o quesito que recebeu a maior nota, apesar deste deslize.

A arte no banheiro informa, sobre duas belas fotografias, que era permitido aos nobres franceses, no século XV, beijar quem lhes conviesse, mas na Itália, na mesma época, obrigava-se ao homem casar com a mulher que ele beijasse. E que “na Idade Média o beijo era visto como uma forma de selar acordos. Com a boca fechada os homens se beijavam com firmeza”. Vamos deixar isto para os russos e argentinos.

Mas a grande arte, o crème de la crème, estava do lado de fora do banheiro, na frente da porta; um sofá para quem espera a sua hora de entrar; o sofá não era novo, mas estava coberto por um lençol branco, novo e limpo; não tive a indiscrição de olhar se o lençol tampava alguma mancha ou rasgo. Talvez servisse para alguém que, machucado pelas dores do amor, tivesse excedido no álcool. O Gêra, sempre crítico, acha que o colocaram lá porque não tinham outro lugar pra ele. Crueldade.

Espero ter feito uma descrição que possa deixar vocês satisfeitos, no regaço de seus lares, sem a necessidade de passar por estes apertos e incômodos (trânsito, estacionamento, flanelinhas, roubos e assaltos, etc.) que passamos. Podem deixar que nós, operários desta faina, faremos o serviço pesado.