Arquivo do dia: 26/05/2009

25 de Maio – Bar Bias Fortes

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       Qualquer buteco que se preza não abre na segunda-feira; hoje procurei diversos participantes do Comida di Buteco e estavam todos fechados. Estavam curando a ressaca do mês inteiro de trabalho e do final de semana que teve a Saideira. Decidi, então, ir a um “pé-sujo” (que no Rio equivale ao nosso “copo-sujo”) clássico e fui ao Bar Bias Fortes (Avenida Bias Fortes, 701, Lourdes, 2535-8282), localizado onde esta avenida faz esquina com as ruas São Paulo e Aimorés, pois estes não falham e estão sempre à nossa espera.

     – Epa! Como assim? Copo-sujo em Lourdes? – perguntarão uns e outros. E a resposta é que não é tão Lourdes assim, pois esta esquina fica no limite entre Lourdes e Centro. E não consigo imaginar como uma esquina tão decadente, nesta região, resiste até aos dias de hoje. Lair sentenciou: – Deve ser problema de herança. – E eu concordei porque, independente se está ou não no limite de Lourdes, não dá pra imaginar uma esquina com um buteco, que tem como vizinho uma loja de jogo do bicho que vende umas bolsas e uma oficina mecânica que é também uma borracharia.

     O espaço do bar se resume a uns 24 m2 em formato de um triângulo, com três largas portas metálicas de entrada. Falta espaço pra tudo e o almoxarifado funciona onde sobra espaço: fardos de refrigerantes encostados no balcão, ovos, água e refrigerante em cima do freezer, bolinhos sobre o balcão … E ainda tem quatro mesas dentro do bar e outras dez na calçada. A máquina de tocar música (R$2,00 por ficha) parecia ocupar mais espaço que  realmente ocupava, com rapp em volume que gritava: “Deus anda de blindado com dois anjos armados e a pomba tem dois tiros no peito”.

     Um hippie, vendedor de pulseirinha, sem muito controle, deixou que a espuma transbordasse sobre o balcão, quando tentou colocar uma Brahma numa garrafa térmica e concordou silenciosamente com um freguês, antes de sair do bar, que Brahma é a melhor cerveja que existe.

     Pensei que não fosse encontrar mais salgados à noite, mas lá estavam os ovos cozidos, os torresmos, os bolinhos de feijão, as coxinhas, as coxas de frango e os croquetes que a cozinheira, comandando um fogão de 4 bocas, não deixa faltar. Pela manhã o bar se transforma em Lanches Apas e fornece café, leite, pão de sal com manteiga. O garçom informou que “o que mais sai é pastel” e sai também aquelas pingas “na risca” para pedreiros, jardineiros e balconistas.

    Eu fui de latinha de Brahma e dois pastéis e depois fui ao banheiro para ver como era aquilo. As mulheres pagam R$1,00 e fica trancado; sobre o de homens posso dizer que já vi muito banheiro pior na minha vida.

     É uma pena que o garçom, que nunca tinha ouvido falar de blog na sua vida, não entendeu muito bem o que queria aquele cara com uma máquina fotográfica, perguntando e anotando um monte de coisa. Ele contou que o bar tem mais de sessenta anos, mas ficou com medo de explicar o que funciona nos dois andares superiores e pediu que eu voltasse depois e falasse com o dono.

     É um buteco para ser tombado (junto com o jogo do bicho e a borracharia) pelo Patrimônio Histórico e vocês devem visitá-lo logo, pois tenho receio que o tal processo de herança seja concluído e o prédio seja derrubado, antes que a Unesco se dê conta da importância cultural dele e o declare Patrimônio Histórico da Humanidade.