Arquivo do dia: 30/05/2009

29 de Maio – Pimenta com Cachaça

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     Resolvi ir ao cinema antes do buteco e fui ver “Ninguém sabe o duro que dei” que analisa a vida do Simonal e os problemas que ele teve que acabaram, precocemente, com a sua carreira artística. É um bom filme, isento, que mostra os dois lados da moeda. Mas não entrou a fundo para explicar o que o DOPS cobrou ou cobraria do Simonal para prestar serviços ilícitos a ele. E, pra mim, trabalho que se baseia em depoimentos de Chico Anísio e Nelsinho Mota, já começa desacreditado, mas é como assistir a uma aula de História do Brasil e um show ao mesmo tempo.

     Depois fui ao Pimenta com Cachaça que se auto-denomina um Quintal Bar, e é um daqueles muitos bares construídos nos quintais ou garagens das casas; me disseram que o Padre Eustáquio está cheio deles. O negócio normalmente começa pequeno por necessidade financeira da família e, às vezes, se transformam em grandes negócios e bons restaurantes. Vide os exemplos do Quintal na Pampulha e a Maria Turca no Padre Eustáquio.

     Não é o caso do Pimenta com Cachaça que funcionava no Alto Barroca, na Rua Camapuã e em agosto do ano passado mudou-se para o quintal da casa 8699 na Avenida do Contorno, em frente ao Colégio Marconi, no Santo Agostinho, tel 3087-6822, deixando a dona do imóvel continuasse morando na casa.

      A gente entra por um corredor lateral da casa, onde parece que não vai ter nada e aparece o bar no enorme espaço (deve ter umas oitenta mesas) que era o quintal. Neste caso, a família continua morando na casa e fizeram um bom trabalho acústico (revestimento das paredes laterais e do teto) para deixar a dona da casa e os vizinhos dormirem e deixar os freqüentadores conversarem sem precisar gritar, dando ótima qualidade para o próprio bar.

     Gosto muito de bares, mas encabeçaria um abaixo-assinado proibindo a transformação de quintais em bares, especialmente aqueles que tivessem jabuticabeiras e telhados. É de dar dó ver as duas jabuticabeiras existentes lá, violentamente podadas e sem acesso a sol, tendo que conviver diuturnamente (de segunda a segunda) com um monte de gente falando alto.

      Aí veio o Coice de Avestruz: batata ao coice com molho quatro queijos, acompanhado de medalhões de avestruz, creme de taioba e espinafre picante. Tudo muito bom: a carne de avestruz enrolada no bacon frita no ponto exato, espetada por um palito, permite ser comida como em um bar; o palito serve para espetar a batata que está coberta pelo molho.

     Cismei, entretanto, com o tal creme de taioba e espinafre que é servido frio num pequeno recipiente. Perguntei a um garçom, a uma garçonete, a outro garçom e todos disseram que é servido frio assim mesmo. E parecia que estavam falando a verdade porque não estava quase frio não, estava frio, como se não tivesse sido esquentado. Quando confirmei, pela última vez, com o caixa sobre a temperatura do creme, ele confirmou que era frio e me perguntou se eu achava que o molho quente ficaria melhor. Não tinha certeza para dar resposta e disse que deveria experimentar.

     É isto que proponho a vocês: assistam ao filme do Simonal e tentem entender a real ligação dele com o DOPS e vão ao Pimenta com Cachaça avaliar se o creme de taioba com espinafre é melhor frio ou quente (terão que pedir um quente e um frio) e dêem seus palpites.