Arquivo do dia: 03/06/2009

2 de Junho – Bombar

DSC05121reduzida

     Saí correndo do trabalho na esperança de encontrar ainda aberto “O Socorro dos Retrovisores”, na Avenida Tereza Cristina, para consertar o retrovisor do meu carro. Como estava fechado, mudei de estratégia e decidi entrar no primeiro buteco que aparecesse naquela região, onde não conheço nada.

     Passei devagar na porta do primeiro e não animei, era muito ruim. No segundo nem precisei passar tão devagar para desistir e ao passar pelo terceiro resolvi que iria, como planejado anteriormente, no Bombar, no Luxembugo, na Avenida Guacuí 116, estreante do Comida di Buteco. Estava curioso para conhecer este bar, em um bairro novo, sem tradição de bares.

     Às 18:30 horas, já estava lá, sentado, sozinho, depois que Vilminha declinou do meu convite, escutando o resto de um programa de esporte na Itatiaia e pedindo uma Bohemia e o prato que tinha recebido o 11º lugar no Comida.

     O dono do bar, o Betinho, filho do Beto do Atlético, me contou que não se paga nada pra participar do Comida (os patrocínios cobrem todas as despesas) e que são convidados após análise da organização. Que todo ano caem os dez piores classificados e sobem três que tinham caído no ano anterior e mais setes bares novos. Conferi e o livrinho tem realmente sete bares estreantes.

     A decoração, feita com fotos de revistas esportivas, folhas de álbuns de fotografias de jogadores de futebol, capas de discos, desenhos de super-heróis e brinquedos de crianças (que pertenciam ao dono e ao irmão dele), é de bom gosto e é prazeroso ficar observando os objetos da decoração.

     Quando vi escrito na bolacha, doada pela Prefeitura, que 59% das vítimas fatais dos acidentes em BH estavam alcoolizadas percebi que a organização do evento dá pouca atenção a este tema. O patrocínio deveria disponibilizar carro que levasse pessoas em casa ou insistir neste tema em cada papel de propaganda, pois não encontrei nada além de um “Vá de Táxi” na propaganda da Saideira.

     O “Brega e Chique” feito com lingüiça artesanal de porco, acompanhada de bolinhos feitos com angu, couve e queijo oferece ainda uma porção de alho caramelizado.

     O alho caramelizado dá o tchan no prato. Eu pensava que fosse um caramelizado como aquelas bananas dos restaurantes japoneses, mas o alho é apresentado em um molho bastante líquido. É a solução mais inovadora do prato e pode-se até utilizar o molho sobre a lingüiça ou os bolinhos. O molho disfarça o gosto do alho na hora em que é comido, mas permanece o hálito de alho depois. Portanto, cuidado!

     Os bolinhos de angu ficaram, surpreendemente, leves com a presença do queijo e da couve, sem que estes ingredientes sobressaíssem sobre o gosto do angu. A Maria, esposa do Betinho, responsável pela concepção e confecção de toda a parte gastronômica, encontrou o equilíbrio entre estes ingredientes criando um novo sabor.

     Eles ficaram, entretanto, muito preocupados em fazer uma lingüiça muito honesta que acabou ficando muito pesada, para meu gosto. A mim, me agrada mais uma lingüiça com um pouco mais de gordura que faz melhor companhia para as cervejas.

     A simpática Maria, me confidenciou que, após terminar seu curso de Gastronomia no SENAC, está fazendo experiências com um saco de jiló para encontrar uma boa receita para o ano que vem, que vença o preconceito existente com este legume.

     No nome do bar já está indicado a sua qualidade e sei que vai bombar com o passar dos anos, pois os donos têm apenas um ano de experiência. Sucesso aos donos e parabéns aos garçons pela gentileza.

Anúncios