Arquivo do dia: 16/06/2009

15 de Junho – Bar do Zezé

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     Caetano Veloso, de certa feita, naquela fase deslumbrada em que não criticava nada nem ninguém, acuado por um repórter que lhe apertava por gostar de tudo e de todos, sai para o ataque com esta:

     – Isto não é verdade. Por exemplo, não gosto do Fagner.

     A minha versão desta história tem a ver com angu. Para demonstrar que não traçava tudo que caísse no meu prato, advertia: – Eu, por exemplo, não como angu, de jeito nenhum. – De jeito nenhum, significava as versões mole e dura do angu, da polenta; enfim tudo que fosse feito de fubá.

   E não era para imitar o Caetano não (não?). Estava autorizado, desde criança, por mamãe, que também não gostava e, por isso, não nos obrigava a comer; o angu era feito apenas para papai. Hoje, penso, que mamãe acreditava que angu era comida de pobre.

     Mas atualmente, como se diz nas instituições, rompendo com os meus paradigmas, já gosto de angu. E comecei a gostar deste prato em Rio Acima, vendo as pessoas admirarem o angu feito com fubá de moinho dágua. Hoje, divido as coisas que gosto de outra maneira: gosto das coisas boas e não gosto das coisas ruins.

     E foi com este espírito que me dirigi ao Bar do Zezé, no Barreiro de Baixo (Rua Pinheiro Chagas 406 – 3384-2444) ao encontro do SPC: suã, polenta e couve. O espírito melhorou mais ainda quando me dei conta, pelo cardápio, que o bar estreou com primeiro lugar em 2004 com “Encontro Marcado” e repetiu a dose em 2006 com “Trupico Mineiro”.

     Ele que nunca foi rebaixado, sempre ficou entre os quatro primeiros nos anos 2005 (segundo lugar com Minas Lusitana), 2007 (terceiro lugar com Costela Real), 2008 (segundo lugar com Rabo Apertado) e 2009 (quarto lugar com o SPC). Alguém, em sã consciência, pode imaginar que não vai comer uma boa coisa quando chega a este bar?

     Assim, para meu deleite, recebi o meu SPC, numa panela de pedra para não esfriar o angu, na versão meia porção, por R$10,00. Comi polenta mole com quiabo e suã como se fosse um rei. Veio pratinho, colher e faca, dispensei. Comi direto na pedra, partindo a carne com o garfo, de tão macia que estava. Rápido e rasteiro.

     Algumas pimentas biquinho estavam lá, sem serem anunciadas; comentei com Humberto, ontem, que não sei quando estas pimentas sairão dos pratos dos butecos (elas não atrapalham em nada, são baratas, enfeitam, e ajudam com apimentada mínima). Com medo de ficar viciado em Bohemia Escura, pedi uma Serra Malte.

     É um bar calmo que funciona das 11 às 14 e das 17 às 23 horas. Quando sai deixei apenas 6 das quarenta meses ocupadas, nesta baita segunda-feira, pós feriadão.

     O bar, no mesmo estilo de seu concorrente, fisicamente próximo (Bar do Ferreira), tem um prato para cada dia: Rabada com Batata, Canjiquinha com Costelinha, Feijão Tropeiro, Língua ao Vinho, Dobradinha, Galinhada e aos sábados, feijoada.  Honestamente, por 60% do valor, tem meia porção para todos os pratos do cardápio.

     Isto quer dizer que você pode se sentir rei todos os dias da semana.

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