Arquivo do dia: 23/06/2009

22 de junho – Bar do Jaime

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Quando vocês estiverem passeando (ou passando) pelo Santo Antonio, subindo a Rua Paulo Afonso, dêem uma paradinha no Bar do Jaime. Fica na Rua Paulo Afonso, quase esquina com Marabá, do lado direito de quem sobe e tem só uma porta, daquelas de aço, de enrolar.

Fui lá por indicação de um colega e estou explicando desta forma porque o Bar do Jaime não tem placa e não tem número; é um pouco depois do número 917. Ele estará lá para lhes receber porque não tem garçom, nem caixa, nem nada. É ele sozinho.

Apesar de ter ficado muito pouco tempo no bar deu pra perceber que o Jaime é uma grande figura e tem a mesma mania minha de colecionar objetos. Ele utiliza o próprio bar para guardar as coisas. São caixas de papelão vazias, jornais velhos, folders de apartamentos e escolas, tudo deixado, de forma bem causal, em todos os lugares do bar.

Ele deu um sorriso e balançou a cabeça para me responder que não tinha nenhum petisco para servir, mas que eu poderia conseguir algum, na Padaria Pão e Magia, ao lado, onde vendem salgadinhos e caldos.

Observei algumas tiras de cartolina penduradas em um prego na parede, atrás do balcão, com os dizeres “castanhas de caju”, escritos na cartolina. Era uma indicação que, em alguma época remota, ele serviu castanha de caju em envelopes plásticos que estavam grampeados nas tiras de cartolina. E resolveu colecionar as tiras de cartolina.

Quando percebeu que eu não iria à padaria atrás de nada, pegou um pratinho e serviu um pouco, pra mim, do tira-gosto que estava em uma grande bacia plástica na mesa, ocupada por umas sete pessoas; aliás, estes eram os únicos fregueses no bar naquele momento.

E fez isso com a naturalidade de quem se serve em um prato que lhe pertence. O grupo não lhe deu atenção, não observou o que ele fazia, como se isto fosse uma regra da casa. Não perguntou se eu queria, não falou nada, apenas colocou o pratinho na minha mesa.

Eu era o único freguês que mereceu um pratinho; os outros comiam direto da bacia. Comi uma porção de tomate, pepino e cebola cortados em grandes pedaços com tempero bem picante. Elegantemente, não pedi outra porção.

Gastei apenas R$2,00; era o preço do latão de Skol, porque ele não cobra dez por cento e o tira gosto foi oferta da casa.

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21 de junho – Arraiá dos Rodrigues

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Éramos 78 quando tiramos a foto, mais o Fred que foi para o sacrifício e não apareceu. Nesta hora muita gente já tinha se mandado.

Humberto ganhou o prêmio de melhor fantasia masculina, mas na verdade foi o prêmio de melhor desempenho no teatro e Luciana ganhou o prêmio de melhor fantasia feminina pela fantasia mesmo.

Tinha quentão, música de Luiz Gonzaga, canjica, cachaça, pipoca, quadrilha, trajes típicos, bandeirolas, estampas de São João e São Pedro, dança da Paula com garrafa na cabeça, pescaria, levantamento de bandeira. Só faltaram os foguetes porque proibiram a venda deles no Mercado Central aos domingos e a fogueira porque ninguém estava interessado em churrasco de menino.

Como toda festa em família, tem seus casos engraçados. Um deles foi a tentativa do Marcos de impor silêncio e por ordem no recinto, para  dar início à apresentação e bradou: – Tia Vilma, a senhora é freira, mas cala a boca que o teatro vai começar! – O segundo foi o Gabriel expressando a sua dúvida para a Tia Vilma: – A senhora é freira mesmo ou está fantasiada de freira? – A pergunta funcionou como um verdadeiro “espalha bolinho” e ninguém ficou por perto para ouvir a resposta.

A comida de buteco está tão na moda que infiltrou até na festa junina mais legítima da cidade, descaracterizando-a parcialmente. Digo a mais legítima e poderia dizer a mais tradicional, pois se as festas na casa de Tia Duca começaram apenas a uns dez anos, são uma continuação das festas juninas na casa de Vô Lauro, em Salinas.

E estão cada vez melhores. Esta, então, que comemorou o aniversário de Tia Vilma foi especialíssima e creio, logo vai entrar para o calendário oficial da cidade, como a mais legítima expressão das festas juninas brasileiras.