02 de Julho – Bar da Ana

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Foi preciso ir até ao freezer com ela, mostrar qual era Bohemia Weiss, mas, demonstrando conhecimento, explicou que não tinha a taça adequada – É muito fina, quebra igual casca de ovo e o povo daqui não bebe dela, não.

Quando pedi a conta, informou: – Nove e oito – e antes que minha ficha caísse, pois achei que ela estava falando as horas, explicou: – Nove da língua e oito da cerveja.

Tinha planejado comer o Ossobucão, prato com o qual ela ganhou a Comida di Buteco em 2006 ou o Potata (lombo de panela, molho vermelho de pimenta dedo de moça e batata bolinha em conserva) com o qual ela caiu em 2008, mas dos 5 pratos com os quais concorreu, entre 2004 e 2008, tinha apenas um, a língua de boi recheada com bacon e batata cozida. E foi uma meia porção desta língua que experimentei.

É ela quem faz tudo: cria os pratos (o Ossobução foi aprendido com os clientes caminhoneiros), prepara-os, serve-os, compra tudo, recebe a conta, contando apenas com a ajuda de um filho. Ouvi falar bem do peito de peru à milanesa, da lingüiça com madioquinha, do fígado com cebola e jiló, entre outros, mas ficaram para outra ocasião.

Assustamos juntos com a queda em 2008, com um prato, cuja receita foi publicada em revistas paulistas, com uma foto muito bonita do prato; eu disse: – Quem entende os clientes, dona Ana? – e ela esclareceu: – São as mulheres – e aproximando, até quase encostar, o indicador no polegar, completou: – Tolerância zero pra elas.

Contou-me que, certo dia, uma mulher cliente, mandou o recado de que ninguém merecia o banheiro de lá. Ela, uma mulher que se separou há quinze anos e criou a família, pondo os filhos na Universidade, no dizer dela, esquentando a barriga no fogão e esfriando no balcão, acostumada com as dificuldades de comandar sozinha, um bar, utilizou o mesmo mensageiro para levar a resposta:

– Diga a ela para urinar no poste!

Combinamos que voltarei lá para comer o Ossobuco quando os açougueiros se dispuserem a fornecê-lo, pois é muito alto o preço do Carrefour. Sugiro a vocês fazerem o mesmo. Telefonem antes para a Dona Ana (3384-3034) e apareçam na Rua Joaquim Figueiredo 430, no Barreiro.

Tomem cuidado com o horário porque ela gosta de fechar o bar às 18 horas, quando não tem movimento, com medo de ladrões; mas avisa aos interessados que não tem dinheiro no caixa, já que a filha deposita tudo no banco no final da tarde.

Cheguei lá meio melancólico e sai alegre; nunca foi tão verdade a frase com a qual me despedi dela: – Foi um prazer conhecer a senhora.

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2 Respostas para “02 de Julho – Bar da Ana

  1. Olá, Dona Ana, foi um prazer conhecer a senhora aqui! Com esse mesmo Augusto q tbém me dá o prazer de ser uma butequeira virtual. Mas q delícia de texto, hein?!

  2. Esse eu também conheci.

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