Arquivo do dia: 24/07/2009

23 de julho – Bar e Mercearia Diamantinense

 

DSC05241reduzida

Há 34 anos, desde julho/75, nos dias úteis, toda manhã, subo a Nossa Senhora do Carmo, pego o anel rodoviário, entro na Barreiro e vou trabalhar. Se não tivesse trocado de carro tantas vezes, certamente não precisaria dirigir, pois o carro iria sozinho.

Isto não deixa dúvidas que a minha história está ligada a este bairro, mas nunca mantive com ele relações afetivas; pelo contrário, as relações sempre foram profissionais e todos os dias, nos finais das tardes, precisava ir embora correndo de lá, para não ficar com a sensação que continuava trabalhando.

A minha procura por butecos este ano, entretanto, está alterando este sentimento e hoje o vejo com outro olhar; este, de hoje, é o sétimo bar deste ano, na Região do Barreiro.  Fui ao Escalada, das minhas lembranças, na Avenida Olinto Meireles 38 e descobri que mudou de nome, passando a se chamar Bar e Mercearia Diamantinense.

O Escalada, junto com o João Miguel, eram os dois butecos símbolos, o primeiro, um restaurante de categoria e o segundo, um pé-sujo com sinuquinha, que atendia aos operários em todos os finais de turno. E não era raro encontrar no João Miguel, operários tomando as suas pingonas na risca, às 8 horas, para garantir o diurno e profundo sono.

E lá estava o Escalada: fora de moda, sem fascínio, com outro nome, embaixo do viaduto, lotados de operários almoçando um self-service sem balança e sem charme, com aquelas carnes já meio ressecadas na churrasqueira e lingüiça de qualidade compatível com o ambiente,  bebendo refrigerantes aos litros. À noite, um único prato, a cada dia; não existe cardápio, afixam o preço das cervejas na parede.

Decepção, desencanto e desengano eram as palavras que me ocorriam. Este é o risco que se corre, voltar a um lugar vinte anos depois e ter que amargar mau humor por algum tempo, pensando que isto representa a nossa história.  Por isto aconselho: não queiram ver os antigos namorados e namoradas.

Lembrei-me da história de amigo de adolescência de Salinas que namorou uma menina lá; terminaram o namoro quando cada um teve que mudar para cidade diferente. Quase quarenta anos depois estão os dois em Salinas e os amigos comuns se encarregam de promover um encontro. Como ela estava acompanhada do marido, arrumam uma pescaria pro marido para que os dois possam se encontrar, sem sobressaltos. Tudo arranjado. Quando o meu amigo vê o estado da antiga namorada, corre para a pescaria junto com o marido, pois era o único lugar onde se sentia seguro.

Por isto repito: não queiram ver as antigas ou os antigos namorados. Nem os antigos butecos.