Arquivo do dia: 25/07/2009

25 de julho – Mercearia Lili

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Logo depois que me casei, e olha que já se vão mais de trinta anos, fui à Mercearia Lili, pedir para abrir uma caderneta – dessas que vão anotando as despesas e no fim do mês a gente paga a conta – e o já velho Seu Lili me fez este favor. Era importante, na ocasião, pois os meninos poderiam precisar de alguma coisa, de imprevisto, e ajudava a empregada a resolver os problemas.

Mantenho esta caderneta até hoje, usada principalmente para a compra de pães pela manhã, mais por saudosismo, que por necessidade. Acho bom contar para as pessoas que tenho uma caderneta na mercearia da esquina próxima da minha casa.

Esta mercearia, que começou na esquina da Leopoldina com Cristina, mudou para a Rua São João Evangelista com Leopoldina, na garagem da casa de Seu Lili e este, que gostava de tomar uma cervejinha no final da tarde com os amigos, vendia uns poucos tira-gostos neste horário, enquanto mantinha o negócio aberto. Eram apenas pastéis, quibes e mandioca frita.

Quando Seu Lili morreu, o filho dele, o Toninho, continuou à frente do negócio, mas não deu certo porque o Toninho, que acabara de se casar e virar evangélico, resolveu acabar com a venda de bebidas alcoólicas; nesta ocasião, os vizinhos já tinham tomado gosto pelo negócio.

A mercearia mudou de dono, algumas vezes, até que caiu nas mãos do Dias, antigo garçom, que impulsionou a mercearia. É desta ocasião a reportagem na Revista Veja, comentando que a padaria da manhã se transformava em mercearia, com produtos alimentícios e de limpeza nas prateleiras, ao meio-dia e sofria nova transformação no final da tarde, assumindo aspectos de um movimentado bar.

Eu não me cansava de indicar este bar para conhecidos, falando das proezas da cozinheira que, utilizando uma minúscula cozinha, 2 x 3 metros, atendia a uma freguesia que não parava de aumentar, servindo o melhor tira-gosto de carne de BH.

O tempo passou, o local foi campeão do Comida di Buteco por dois anos, a antiga freguesia mudou para outros endereços incomodada com a impaciência do dono, a concorrência  e a exigência do meu paladar aumentaram e indico este local hoje com menos entusiasmo.

No novo endereço, Rua São João Evangelista 696, ao lado do antigo endereço, a cozinha é maior, os banheiros são melhores e a decoração é feita com prateleiras cheias de produtos da antiga mercearia.

Voltei lá hoje, com Cristina e Marcos, para conferir os dois carros-chefe da companhia: a maçã de peito com fritas e o filé à parmegiana com mandioca. E lá estava o Dias, mantendo o hábito de servir e cortar, ele próprio, as carnes.

Observem que o papel cor de rosa da mercearia, outrora servido para embrulhar os pães, é colocado sobre a mesa para receber as fritas e facilitar o corte da carne. É uma pena que o paladar da gente vai ficando cada dia mais exigente.