Arquivo do dia: 01/08/2009

31 de julho – Pelicano Chopp

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Decidi não me sentar em uma das mesas que ficam de frente para a calçada e fui direto para um dos banquinhos do largo balcão coberto por uma chapa de aço inoxidável, e comandei um chopp, de cara; afinal de contas eu estava no tradicionalíssimo point da boemia de BH, no Pelicano Chopp, que fica na Avenida Augusto de Lima 245 (3224-42929), no Maletta,  E o relógio marcava 19 horas de uma sexta-feira.

Trata-se de um dos pontos mais tradicionais de happy-hour em BH e está aberto desde 1962 (é a segunda chopperia mais antiga de BH), mantendo o mesmo estilo e charme desde a inauguração, apesar de ter trocado de dono há uns três anos.

As suas paredes e piso revestidos de madeira, as fotografias em preto e branco de cantores brasileiros e italianos cobrindo as paredes, o vidro transparente que isola o ambiente interno do burburinho da avenida, a pouca iluminação, a escada que conduz ao mezanino para encontro mais reservados me levaram para a antiga Belo Horizonte que procurava ser moderna, imitando o estilo das clássicas chopperias cariocas.

Demorei um chopp para decidir o que comer, arrependido por estar sozinho e sem fome, na dúvida entre os sanduíches, omeletes, panquecas, massas, filés e peixes, pratos estes que não custavam mais que R$20,00. Optei por uma porção de moela ao molho madeira e pelo tempo que demorou a chegar, imaginei a qualidade que teria.

Eu confesso que fiz força para gostar, mas o tempo que ela demorou para chegar alimentou a exigência de minha expectativa. Faltava maciez e os dentes tiveram que mascar um pouco; o molho estava muito forte, grosso, denso, com jeito de que já tinha ido ao fogo várias vezes. Mas não sobrou pão ou moela para contar história, apenas grande parte do molho.

Foi, realmente, uma pena estar sozinho, pois a lista de petiscos, se não oferecia nenhuma novidade, não deixava faltar nada. Era uma lista clássica que combinava muito bem com o estilo europeu do ambiente, com a gravata borboleta dos garçons e com a idade dos fregueses. O nome e a descrição dos pratos de filés e peixes atiçam a nossa fome.

Se não estava lotado, estava cheio a ponto de não deixá-lo triste, pois este é o maior risco que se corre quando se permanece muito tempo lá.

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30 de julho – Barbermas

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Os proprietários do Barbermas, Gerusa e Alberico, ela de toalha no braço e ele de camisa do Atlético, abriram as portas para que pudéssemos conhecer as novas instalações do bar, agora com estrutura sofisticada, em uma das coberturas do Stela Maris. E para que as más línguas não fiquem falando que bebemos sem motivo, aproveitamos para comemorar, oficialmente, com três dias de atraso, o aniversário de corpo presente da Juliana.

Além do bar com balcão, da churrasqueira de inox com giro automático, da televisão de tela plana com alta definição de sei lá quantas polegadas (onde se podia assistir, com muita tristeza, à derrota do Galo para o Flamengo) o local dispõe de uma piscina com hidromassagem e um ofurô.

Depois da entrada de tomate cereja com tomilho e azeite ao forno, o chef Humberto, comandando a churrasqueira, soltou o queijo assado, lombo, picanha e frango à moda indiana, com a precisão, o rigor e a qualidade peculiares, que levou o Gera a proclamar: – Eu também só como churrasco se for feito pelo Humberto.

A alemã Erdinger, a belo-horizontina Áustria da Krug nas versões pilsen, weiss e amber e a Terezópolis ficavam deitadinhas na geladeira, ao lado das Bohêmia e Skol, esperando por quem não quisesse o espumante ou a Canarinha com água de coco.

Uma salada de folhas verdes (alface e rúcula) e outra com frutas estavam lá para aplacar o peso na consciência daqueles que se esqueceram de deixá-la em casa.

O caldo de batatas, feito pela dublê de proprietária e gerente, utilizado para fazer o rito de passagem para o Parabéns pra Você, quando ficou liberado a sobremesa – uma torta Floresta Negra e outra de nozes com baba de moça – estava perfeito na consistência, no sabor e no tempero.

Eu me esqueci de levar um habano ou um Dona Flor que acompanharia com extrema elegância, o café preparado pelo Humberto, naquela intensidade que se pode cortar com faca.

Para que as nossas mentes não entrassem em estado de letargia, promovemos uma acalorada discussão sobre política e terminamos ouvindo as histórias de infância do Gera e da Marina.

Plagiando os finais das famosas crônicas que o Ibrahim Sued publicava, diariamente, durante algumas décadas, no jornal O Globo, só me resta dizer:

– Sorry periferia.