Arquivo do dia: 25/08/2009

23 de agosto – Cantina do Lucas

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Levei a Sabina e o Diogo para conhecerem a Cantina do Lucas, a contragosto deste, que tinha sugerido um almoço em um shopping qualquer, quando lhe disse que a cantina ficava no Edifício Maletta. Mal sabiam que estavam indo dar um passeio pela história, conhecendo o bar que é considerado Patrimônio Cultural de BH, tombado em 9/12/97 como “Bem Cultural” e que está prestes a completar seus 47 anos.

Ocupamos uma mesa no chamado “andar superior” que tem as paredes revestidas com madeiras de cor escura, quando a vontade era ter ficado no “andar inferior”, embaixo da cobertura de garrafas de vinho dependuradas que, com seus rótulos rasgados e paredes revestidas de azulejos, compõem o cenário que é uma das marcas registradas do local.

A conversa girou em torno de assuntos particulares e eu não tive a oportunidade de lhes contar que, na primeira vez que lá estive, entre uma e outra sangria, comprei um jornal das mãos do famoso jornaleiro Sapo, de cabeça grande sobre um corpo franzino, olhos esbugalhados e conhecido pela sua voz grave e modo peculiar de anunciar as manchetes.

Que foi lá que tomei meus primeiros chopps à custa do Deícola, quando eu já tinha idade para bebê-los e ainda não tinha dinheiro para pagá-los.

Que já fui atendido pelo garçom mais famoso da cidade, Seu Olímpio, espanhol e comunista declarado, que sempre detestou direitistas e nunca deixou de cultuar Prestes, Fidel e Che, antes que se aposentasse e morresse há uns cinco anos.

Que, apesar de nunca ter sido um cliente contumaz deste bar, no seu período de maior efervescência política e artística, conhecia – de perto ou de longe – alguns de seus principais freqüentadores: Jota D´Ângelo, Márcio Santiago, Jô Morais, Vilma Henriques, Tavinho Moura, Arnaldo Godoi, Pedro Paulo Cava, Ronaldo Brandão…

            Que o Lucas, apesar da troca de donos, manteve seu cardápio sempre inalterado, farto, acessível aos bolsos nem tão fartos assim, nunca se fazendo a “cara do dono”, como é costume neste segmento de negócio.

         Eu fui de Filet a Parmegiana, bem como poderia ter ido do Filet Surprise, Peixe ao Comodoro, Talharim a Parisiense ou  Tornedor ao Chef. Arrependo-me de não ter pedido o Filet a Olímpio. Chamou a minha atenção o fato de não ter cervejas importadas, nem as nacionais de melhor qualidade.

         Quem ainda não conhece, não perca a oportunidade. Fica na Avenida Augusto de Lima 233, nas lojas 18 e 19, logo à esquerda de quem sobe à rampa.

22 de agosto – Pizzaria Mirante do Jambreiro

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Esta foi a segunda vez que corri risco de vida por conta deste blog; a primeira tinha sido no incêndio do bar em Rio Acima e a segunda foi agora na Pizzaria Mirante do Jambreiro, localizada na Rodovia MG 30, KM 18, em Nova Lima.

Essa pizzaria que já me ofereceu pizzas e outros pratos de qualidade  bastante razoável, surpreendeu-me, desta vez, com uma feijoada de gosto muito estranho. Até a laranja estava com gosto de fruta cortada seis horas antes e que ficou fora da geladeira. Apenas a farofa e o arroz se salvaram, mas desisti de comer a feijoada, alertei o garçom sobre a situação e ordenei um tropeirinho.

Nesta altura do campeonato a gente fica com receio de comer qualquer coisa e também não consegui engolir o segundo prato apesar de não ter gosto ou aspecto anormal.

Ao me entregar a conta, o garçom me informou que a cozinheira daquele dia, que estava substituindo a cozinheira oficial, tinha errado a mão na quantidade de sal, gerando este transtorno e que a feijoada não seria cobrada.

Era o mínimo e também o máximo que eles poderiam fazer.

A vista, da Mata do Jambreiro, que se pode observar da janela continua linda, mas, por via das dúvidas, nem para comer pizza, ponho mais meus pés neste lugar.