23 de agosto – Cantina do Lucas

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Levei a Sabina e o Diogo para conhecerem a Cantina do Lucas, a contragosto deste, que tinha sugerido um almoço em um shopping qualquer, quando lhe disse que a cantina ficava no Edifício Maletta. Mal sabiam que estavam indo dar um passeio pela história, conhecendo o bar que é considerado Patrimônio Cultural de BH, tombado em 9/12/97 como “Bem Cultural” e que está prestes a completar seus 47 anos.

Ocupamos uma mesa no chamado “andar superior” que tem as paredes revestidas com madeiras de cor escura, quando a vontade era ter ficado no “andar inferior”, embaixo da cobertura de garrafas de vinho dependuradas que, com seus rótulos rasgados e paredes revestidas de azulejos, compõem o cenário que é uma das marcas registradas do local.

A conversa girou em torno de assuntos particulares e eu não tive a oportunidade de lhes contar que, na primeira vez que lá estive, entre uma e outra sangria, comprei um jornal das mãos do famoso jornaleiro Sapo, de cabeça grande sobre um corpo franzino, olhos esbugalhados e conhecido pela sua voz grave e modo peculiar de anunciar as manchetes.

Que foi lá que tomei meus primeiros chopps à custa do Deícola, quando eu já tinha idade para bebê-los e ainda não tinha dinheiro para pagá-los.

Que já fui atendido pelo garçom mais famoso da cidade, Seu Olímpio, espanhol e comunista declarado, que sempre detestou direitistas e nunca deixou de cultuar Prestes, Fidel e Che, antes que se aposentasse e morresse há uns cinco anos.

Que, apesar de nunca ter sido um cliente contumaz deste bar, no seu período de maior efervescência política e artística, conhecia – de perto ou de longe – alguns de seus principais freqüentadores: Jota D´Ângelo, Márcio Santiago, Jô Morais, Vilma Henriques, Tavinho Moura, Arnaldo Godoi, Pedro Paulo Cava, Ronaldo Brandão…

            Que o Lucas, apesar da troca de donos, manteve seu cardápio sempre inalterado, farto, acessível aos bolsos nem tão fartos assim, nunca se fazendo a “cara do dono”, como é costume neste segmento de negócio.

         Eu fui de Filet a Parmegiana, bem como poderia ter ido do Filet Surprise, Peixe ao Comodoro, Talharim a Parisiense ou  Tornedor ao Chef. Arrependo-me de não ter pedido o Filet a Olímpio. Chamou a minha atenção o fato de não ter cervejas importadas, nem as nacionais de melhor qualidade.

         Quem ainda não conhece, não perca a oportunidade. Fica na Avenida Augusto de Lima 233, nas lojas 18 e 19, logo à esquerda de quem sobe à rampa.

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Uma resposta para “23 de agosto – Cantina do Lucas

  1. Augusto,

    Sabina e Diogo ou não são nem um pouco boêmios ou não são belo-horizontinos, não é?

    A Cantina do Lucas cheira à histórias mil. Nem é preciso ser grande observador para ver que tem uma aura diferente por ali.

    O Seu Olímpio faleceu em 2003 e, infelizmente, não tive o prazer de conhecê-lo.

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