29 de agosto – Tip Top

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O Tip Top comemorou hoje os seus oitenta anos, como sempre. Fechando o quarteirão e espalhando mesas em toda a extensão da rua. E eu não poderia deixar de fazer parte desta história.

Por sorte, sem marcar, encontrei com amigos que estavam em uma mesa e ficamos lá tomando cerveja, comprada no isopor, enquanto o Zé da Guiomar mandava seus sambas. Infelizmente, não consegui chegar a tempo de ouvir a Dona Jandira.

Foram instaladas barraquinhas no passeio em frente para a venda de chopps, refrigerantes, doces e tira-gostos. Tinha gente de todas as idades, mas percebia-se a predominância da Terceira Idade, que ficava bastante acentuada à medida que se aproximava da porta do bar. E esses estavam à vontade, pois estavam em seu ambiente e sabiam que a festa era pra eles.

A fantástica história deste bar, que foi repetida em todos os jornais da cidade nas últimas semanas, está muito bem contada no livro “Tip Top 80 anos”, do Osias Ribeiro Neves, que adquiri, semana passada, no lançamento ocorrido no próprio bar. Neste dia, rolou solto (0800) o chopp, o uísque e tira-gostos deliciosos (frango a passarinha, peixe a milanesa, salsichas, bolinho de bacalhau, etc.) que eram repostos pelos garçons antes de acabarem.

A história é a seguinte: a tcheca Paula Huven muda-se para o Rio de Janeiro em 1920 e casa-se com o romeno Adolfo que morava em BH e trabalhava na manutenção de grandes equipamentos. Como tinha que trabalhar em cidades diferentes e ficava muito tempo fora de casa – as estradas eram muito precárias – ela resolve montar o Tip Top (que significa “Tudo Bem”) na Rua Itajubá, para que o marido não tivesse que viajar tanto. O Tip Topo, depois, muda para a Rua Espírito Santo 558 e depois para o atual endereço.

Na ocasião os bares eram antros de maus elementos e não podiam ser freqüentados por mulheres, que os viam como rivais já que os maridos preferiam mais passar o tempo neles que em casa. O Tip Top resolveu este impasse na medida em que, comandado com um toque feminino, apresentou-se à cidade como um ambiente propício para receber famílias, sem deixar de servir o chopp bem gelado.

Destacava-se ainda por servir comidas com características européias e vender produtos de melhor qualidade na mercearizinha que funcionava no mesmo local. A qualidade dos pratos foi mantida e é até hoje um dos bons restaurantes da cidade.

Qualquer hora passo lá para comer o prato mais tradicional, Salsichão com Batatas, já que ontem era dia mais pra comemorar.

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