Arquivo do dia: 31/08/2009

31 de agosto – Casa da Poli

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Na infância, eu comia o que era obrigado a comer e detestava: todos os dias era feijão, arroz, carne (normalmente uns bifinhos bem mal feitos), e legumes sem charme para aquela ocasião (batata assada, nhame, chuchu, e sei lá que mais); para deixar saudades, apenas o macarrão com frango dos domingos. Na adolescência, quando morei com Vô Lauro, a comida melhorou, era uma comida bem feita, mas era uma comida pra velhos, sem extravagâncias.

Na pensão de Alaíde, outros dois anos, a coisa melhorou muito; aguardávamos a hora do almoço e jantar como num ritual. Convém não esquecer que era uma pensão e as minhas referências não eram as melhores.

Depois a coisa desandou: foram uns sete anos seguidos em bandejão da Faculdade de Arquitetura (final do segundo grau e todo o período de faculdade) com carteirinha falsificada. Era proibido achar ruim, pois não tinha opção. A Arquitetura tinha o melhor restaurante da UFMG, mas nunca é demais lembrar que era bandejão de escola.

Trabalhando, passei a comer no bandejão da empresa que sempre foi e continua sendo o melhor local para se fazer regime. Atualmente, utilizamos uma bandeja com pratos e almoço todos os dias sem nenhum sofrimento; gosto do que como sem que isto se constitua um prazer.

Toda esta digressão é para explicar o que vou falar a seguir.  Toda a minha família (irmãos e irmãs, cunhados e cunhadas, filhos e sobrinhos) foi convidada para um almoço, assentamos-nos em frente a uma panela muito grande e a dona da casa quase morre de susto, pois não parávamos de comer. Todos, repetimos umas três vezes.

O friozinho do Alto das Mangabeiras e a vista para a Serra do Curral ajudavam a criar o clima propício.

O Leo foi sábio quando dosou, muito severamente, os petiscos servidos antes do almoço e quando retardou, ao limite, a hora de servir o almoço, deixando-nos no ponto.

O que tinha na panela, que trazia apenas arroz branco como acompanhamento? Não era coq au vin, não era frango ao vinho tinto, não era frango ao molho pardo, não era frango ao molho pardo sem sangue, não era galinha a cabidela. Era a receita original que deu origem aos pratos citados, era um coq au vin com um pouco de sangue.

O melhor equilíbrio já encontrado; tinha a presença do sangue sem estar muito acentuado, tinha o vinho para se contrapor ao sangue, tinha a qualidade dos ingredientes, tinha o cuidado no preparo, tinha o tempo certo no fogo. Estava perfeito.

O Lorenzato me aparece com uma bebida (ele garante que é cachaça) que era alguma coisa muito próxima do conhaque, do rum e do Jack Daniel´s, deixando abalada a certeza do Chico de que não estava bebendo uma cachaça.

 O Leo e a Poli me aparecem com dois cheesecakes, um de café com chocolate e outro tradicional com cobertura de geléia de amora, sobremesa na qual não param de especializar, para acabar de nos matar.

E não me venham dizer que se trata de avaliação exagerada de quem não conhece gastronomia, pois estavam presentes os agregados mestres no assunto – Juliana, Cristina, Chico e Humberto – que, tenho certeza, assinam embaixo do que escrevi.

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30 de agosto – Sebastião Restaurante Pizzeria

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Fomos ao Sebastião, em Macacos, como se deve ir a este lugar, ou seja, sem pressa. Mesa reservada, nos assentamos antes nos sofás da entrada do restaurante para uma cerveja e uma porção de crocantini (torradas finas, feitas com massa de pizza branca ao alecrim, ervas e sal grosso) e uma pasta feita com tomates (atendendo ao nosso pedido, pois não existe nenhuma pasta no cardápio) enquanto aguardávamos a chegada do restante do pessoal.

O dia estava esplendoroso: sol claro com temperatura ideal para um almoço. O restaurante, que tem estacionamento próprio, fica na Rua Maria da Glória 836 (3547-7203), afastado da muvuca que se forma na região da igreja.

Fundado em 2004, é comandado por ex-bailarinos do Grupo Corpo, Werner Glik e Alexandre Vasconcelos, que transformaram a casa deles num espaço dedicado ao bom gosto e à qualidade, trazendo toda arte do balé para o ambiente e gastronomia. Senti-me como se tivesse sentado na varanda da casa deles e almoçado na copa deles. 

Aberto de quinta a domingo, oferece o projeto “Sexta Cultural” com repertório voltado para Jazz e Bossa Nova, a partir das 22 horas. Ninguém precisa se assustar com a distância nem com o trânsito, pois é perto e livre.

Grupo completo e pedido de pratos individuais que demorou bastante tempo para servir, seguindo a tradição de slow-food do lugar, já que ninguém vai a Macacos apenas para comer.

Escolhi Risoto de Camarão com ervilhas frescas, manjericão e hortelã; a Cristina escolheu Raviolli Gratinado de gorgonzola e alho porró ao molho de açafrão e fizemos a tradicional troca de pratos, após comermos a metade dos pratos pedidos.

Os dois pratos estavam perfeitos, mas eu preferiria não ter trocado e ter ido até ao fim com meu risoto de camarão. Penso que, numa situação de idêntica qualidade, as massas jamais competirão com risoto e camarão.

Dois Filé Mignon ao molho de vinho com risoto de amêndoas e dois Salmão Grelhado ao molho de alcaparras e Penne cremoso completaram o pedido. A conversa, em grupo com mais de seis pessoas, rende muito e acabei me esquecendo de perguntar o que eles acharam de seus respectivos pratos. Posso, entretanto, garantir que não percebi o menor sinal de desaprovação.

Ir a este local à noite para comer uma pizza e assistir a um show de Jazz deve ser tão agradável como foi freqüentá-lo nesta manhã. Confiram a programação musical no site www.sebastiaopizzeria.com.br e me convidem, que aceitarei.

Quase na hora de irmos embora, chegou o Gabriel, meu especialista em Petit Gateau, que teve que se contentar com um sorvete de creme com cobertura de chocolate, devido ao adiantado da hora, porque este negócio de slow-food também tem seus limites.