31 de agosto – Casa da Poli

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Na infância, eu comia o que era obrigado a comer e detestava: todos os dias era feijão, arroz, carne (normalmente uns bifinhos bem mal feitos), e legumes sem charme para aquela ocasião (batata assada, nhame, chuchu, e sei lá que mais); para deixar saudades, apenas o macarrão com frango dos domingos. Na adolescência, quando morei com Vô Lauro, a comida melhorou, era uma comida bem feita, mas era uma comida pra velhos, sem extravagâncias.

Na pensão de Alaíde, outros dois anos, a coisa melhorou muito; aguardávamos a hora do almoço e jantar como num ritual. Convém não esquecer que era uma pensão e as minhas referências não eram as melhores.

Depois a coisa desandou: foram uns sete anos seguidos em bandejão da Faculdade de Arquitetura (final do segundo grau e todo o período de faculdade) com carteirinha falsificada. Era proibido achar ruim, pois não tinha opção. A Arquitetura tinha o melhor restaurante da UFMG, mas nunca é demais lembrar que era bandejão de escola.

Trabalhando, passei a comer no bandejão da empresa que sempre foi e continua sendo o melhor local para se fazer regime. Atualmente, utilizamos uma bandeja com pratos e almoço todos os dias sem nenhum sofrimento; gosto do que como sem que isto se constitua um prazer.

Toda esta digressão é para explicar o que vou falar a seguir.  Toda a minha família (irmãos e irmãs, cunhados e cunhadas, filhos e sobrinhos) foi convidada para um almoço, assentamos-nos em frente a uma panela muito grande e a dona da casa quase morre de susto, pois não parávamos de comer. Todos, repetimos umas três vezes.

O friozinho do Alto das Mangabeiras e a vista para a Serra do Curral ajudavam a criar o clima propício.

O Leo foi sábio quando dosou, muito severamente, os petiscos servidos antes do almoço e quando retardou, ao limite, a hora de servir o almoço, deixando-nos no ponto.

O que tinha na panela, que trazia apenas arroz branco como acompanhamento? Não era coq au vin, não era frango ao vinho tinto, não era frango ao molho pardo, não era frango ao molho pardo sem sangue, não era galinha a cabidela. Era a receita original que deu origem aos pratos citados, era um coq au vin com um pouco de sangue.

O melhor equilíbrio já encontrado; tinha a presença do sangue sem estar muito acentuado, tinha o vinho para se contrapor ao sangue, tinha a qualidade dos ingredientes, tinha o cuidado no preparo, tinha o tempo certo no fogo. Estava perfeito.

O Lorenzato me aparece com uma bebida (ele garante que é cachaça) que era alguma coisa muito próxima do conhaque, do rum e do Jack Daniel´s, deixando abalada a certeza do Chico de que não estava bebendo uma cachaça.

 O Leo e a Poli me aparecem com dois cheesecakes, um de café com chocolate e outro tradicional com cobertura de geléia de amora, sobremesa na qual não param de especializar, para acabar de nos matar.

E não me venham dizer que se trata de avaliação exagerada de quem não conhece gastronomia, pois estavam presentes os agregados mestres no assunto – Juliana, Cristina, Chico e Humberto – que, tenho certeza, assinam embaixo do que escrevi.

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8 Respostas para “31 de agosto – Casa da Poli

  1. Assino mesmo, com meu aval de comentarista!

    E agora, só para deixar registrado:

    As caras de felicidade desta comentarista e do André, na foto, só servem para esclarecer de vez que nossos debates aqui são pelo movimento do blog, que não pode ficar parado.

    Ao nos encontrarmos “in loco”, aproveitamos para colocar todos os assunto em dia e para cairmos de boca neste banquete, que tivemos o prazer de degustar!

    Parabéns aos anfitriões e sucesso à Marina, razão deste nosso encontro, que ficará aguardando a comitiva do blog passar por Salvador para conferir os lugares que ela deve estar listando pra nós, a essa altura do campeonato.

  2. Encontrar é ruim pro blog: acaba o assunto!

    PS: Agora que eu tenho um cargo eu tô apreensivo!

  3. Além de exaltar a qualidade do que comemos, escrevi aos anfitriões agradecendo pelo gesto de carinho, que me tocou tanto!

    E agradeço também a Juliana pelos votos de sucesso no comentário desta mensagem. Nessas horas, essas lembrançasfazem uma grande diferança. E nisso a Juliana tem representado bem a família: querendo notícias, fazendo indicações de apoio por aqui, mantendo contatos. Obrigada aos Lorenzato, mais uma vez!! Obrigada a Juliana, mais uma vez!!

  4. Além de exaltar a qualidade do que comemos, escrevi aos anfitriões agradecendo pelo gesto de carinho, que me tocou tanto!

    E agradeço também a Juliana pelos votos de sucesso no comentário desta mensagem. Nessas horas, essas lembrançasfazem uma grande diferança. E nisso a Juliana tem representado bem a família: querendo notícias, fazendo indicações de apoio por aqui, mantendo contatos. Obrigada aos Lorenzato, mais uma vez!! Obrigada a Juliana, mais uma vez!!
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  5. Gente, foi um super prazer (parafraseando nossa homenageada e querida Marina) receber vocês todos aqui. E fico mais do que feliz e “cheia de mim” por ter acertado no prato do dia. Prometo que, depois que minha casa for reconstruída (ai, ai…tá uma zorra total, snifff…) vamos fazer um outro encontro com outro prato melhor ainda. Muito obrigada por tudo. Beijocas a todos. Cris

  6. Por um instante eu achei que seria o tão aguardado comentário da minha mãe!

  7. Eu também…corri pra ler as palavras da Musa…

    Mas ela continua igual Monalisa, só olhando e sorrindo!

  8. Paula Guedes - vulga Polly

    Só pra deixar registrado que meu nome é Paula Guedes e que esse dia foi bom pra ca*****!!! Brigadão pela presença ilustre de todos vocês!!!

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