Arquivo do dia: 05/09/2009

04 de setembro – Albano´s

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História turca: o cavalo ganhou a corrida, sorte; o cavalo ganhou a corrida de novo, coincidência; o cavalo ganhou a corrida mais uma vez, aposte no cavalo. Lembrei desta história quando soube que o Albano´s, nos últimos onze anos, entre 98 e 2008, foi eleito pela Revista Veja como o melhor chope de Belo Horizonte.

Por mais que saibamos que esta revista não tem nenhuma credibilidade e que se vende a qualquer um por muito pouco dinheiro (costumo dizer que é a puta mais safada da zona), não se pode deixar de considerar a hipótese de que lá se encontra o melhor chope da cidade.

Lá na Rua Pium-I 611, no Anchieta (3281-2644) naquele quarteirão onde os bares trocam de nome para sobreviver, o Albano’s, há treze anos, com sua bela arquitetura de alto pé direito, com portas de janelas altas, sem barulho mesmo com a casa cheia, com a divertida coleção de pingüins do Sr. Albano vive muito bem, sempre com fila de espera.

Apenas com o chope claro e o escuro, criado em Ribeirão Preto, conseguem apresentar 10 formas distintas, misturando os tipos e variando o creme. Pode-se dizer que são três: o claro, o escuro e o misturado; o resto é perfumaria.

Todos sabemos da importância do colarinho (manter temperatura e evitar que o chope amargue), mas sempre acho que o bar está mal intencionado, quando vem um colarinho de três dedos num copo de 200 ml, obrigando-nos a pedir um colarinho normal. Foi o caso.

Prefiro a honestidade alemã, onde os copos vem com uma marca indicando o volume de líquido e deixando o espaço para o colarinho, à malandragem daqui que ficam vendendo espuma por líquido.

Também não gosto da “empurroterapia” (o senhor aceita uma porção de torradas?) disfarçada de bom serviço dos garçons; considero mais honesto o mau humor dos donos de butecos.

Pedimos um dos pratos mais pedidos que  é o Combinado 01 (carne de sereno, lingüiça a caçador, costelinha defumada, mandioca cozida, batata frita e manteiga de garrafa) onde cada componente é servido separado em pequenos recipientes. A lingüiça e a costelinha estavam muito boas (esta sem gordura e macia), mas o carne serenada estava com gosto de fígado (impressão confirmada por três dos quatros presentes), gosto este  bastante presente quando se provava, separadamente, o molho que acompanhava a carne serenada. Era aquele gosto que aparece quando se usa o mesmo recipiente para preparar pratos distintos; como não servem fígados, pode-se dizer que conseguiram este gosto por outros caminhos. O restante era bastante comum, mas prefiro as mandiocas quando estão mais cozidas, quase desmanchando.

A forma de apresentação do prato, a qualidade, a criatividade, tudo, lembra muito os pratos do Comida di Buteco, que tanto me agradaram. Para atrapalhar, apenas esta maldita herança paulistana de querer aumentar o faturamento por métodos sórdidos.

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