Arquivo do dia: 15/09/2009

13 de setembro – Alguidares

baiano

Enquanto aguardávamos a liberação da mesa na interna (duração máxima prevista de 50 min) e a chegada do Dani, sentamos-nos na mesa externa, embaixo de um guarda-sol que apenas disfarçava o calor, e resolvemos arriscar o significado da palavra “alguidar”. Meg achou que era o nome de um tipo de pessoa, Deco achou que era o nome de um prato e eu arrisquei ser o nome de um recipiente, uma bolsa.

E agora sei que é sinônimo de “ababá” e é o nome de um vaso de barro ou metal, baixo, com diversos usos domésticos. O nome do restaurante é no plural já que os pratos são servidos em dois alguidares, um no qual vem a comida e outro para suportar o primeiro que está sempre muito quente. Isto já é uma forma de avisar que os pratos servidos não têm quantidade de panelas e sim de alguidares.

Para agüentar o calor pedimos cervejas, águas e sucos.  O que era, para mim e pro Deco, uma tremenda desculpa, pois aprendi que quem quer matar a sede pede água e quem quer se embebedar não pede cerveja, pois é muito fraca. Quando alguém pede uma cerveja está atendendo a um desejo do cérebro em forma de sussurro que, aos poucos, vai aumentando o volume e criando uma reverberação suave para todo o sistema nervoso, de início uma massagem prazerosa, depois obstinada. Aí você está nas mãos de uma autoridade superior que não admite argumentos, é um desejo, o trem não pode sair dos trilhos. Há quem, menos poeticamente, chame isto de vício.

O restaurante tem convênio com a Backer e a serve, em garrafas long neck, a R$6,50 ou as outras marcas comuns a R$4,50, no mesmo formato. Atendendo à tal autoridade superior, pedimos, de cara, duas de trigo e devolvemos uma delas que estava com a cor alterada e com sedimento anormal. Provamos também da Pale Ale (ruiva e encorpada), a Brown (notas de café e forte (exagerado) sabor e aroma de chocolate) e a Pilsen (loura, refrescante e suave), principalmente.

O local tem uma arquitetura e uma decoração muito simples que não faz imaginar quem passa na rua, tratar-se de uma restaurante de alta qualidade e preço, atraindo os menos desavisados. O Deco lembrou que já tinha entrado lá e saído quando abriu os cardápios e viu os preços. Concluímos tratar-se de uma boa estratégia.

Como entrada, uma porção de acarajé, servido com os ingredientes separados; esta entrada e a visita que fiz à mesa do Bené e Denise Bernardino deixaram claro que o dia seria só de elogios. O bobó e a moqueca vieram fumegantes e estavam deliciosos. É só isso mesmo, simplesmente, perfeitos. Para nosso hábito de mineiro faltou arroz, já que apenas uma pequena tigela acompanha estes dois pratos.

 Os garçons e as garçonetes vestidos a caráter e a alegria simples da empresária e chef Deusa Prado a nos receber são ingredientes que garantem o funcionamento deste restaurante tipicamente baiano a 13 anos em BH, na Rua Pium-I, 1.037, no Anchieta (3221-8877).

Não posso informar o preço dos pratos, pois Cristina preferiu pagar a conta justamente no dia em que comemorávamos seu aniversário.