06 de outubro – Hermengarda

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Penso que um bebedor de vinho, desses acostumados com Sangue de Boi ou Canção, perceberá que bebeu coisa melhor a que está acostumado quando beber um vinho mais caro. O que penso, ainda, é que esta pessoa não alcançará toda a qualidade do vinho melhor e estaria jogando qualidade, ou parte do dinheiro, fora quando bebesse este vinho.

Essa mudança de patamar que damos nos nossos paladares é lenta e precisa de um constante contato com o produto de melhor qualidade para que esta característica fique marcada na memória e sirva de referência nos contatos futuros. No caso dos vinhos pode-se perguntar para alguém “Qual é o preço do vinho que você bebe?” o que equivale a perguntar “Qual é a qualidade que você consegue reconhecer?”.

Acredito que com as comidas também funciona da mesma forma. Comigo, principalmente. Não adianta ir a um restaurante de qualidade superior à minha capacidade de percebê-lo, pois estarei jogando fora uma qualidade que não consigo alcançar. Percebo que estou comendo algo melhor, mas não consigo evitar a sensação de que estou perdendo dinheiro.

Não acontece, entretanto, comigo, com as cervejas. Pagamos, no Hermengarda (Rua Outono, 316 – 3225-3268) R$18,00 pelas garrafas de 600 ml da Índia Pale Ale da Cervejaria Colorado de Ribeirão Preto ou R$16,00 pela Appia, de trigo com mel, da mesma marca e não me senti lesado, pois tive o prazer de sentir novos sabores com qualidade. Não arrisquei, entretanto, a ver o que tinha dentro das garrafas da La Trappe que custavam mais R$50,00.

O Hermengarda funciona em uma casa da década de 40 e seu nome é uma homenagem á avó do chef proprietário, Guilherme Melo, que nos recebeu pedindo desculpas pela trapalhada do funcionário que tinha dito não ser necessário fazer reserva e estava cheio quando chegamos. O Guilherme com muita honestidade e humildade admitiu o erro, não tentando justificar nada.

Da entrada composta de pães, manteiga de ervas, sardela e berinjela em conserva (R$12,00), posso dizer que me chamou atenção a qualidade do pão e que o preço é muito justo. Do petisco de Lingüiça de vitelo ao molho de mostarda com cogumelos de Paris, a R$25,00, devo dizer que ainda demorarei para saber a procedência dos cogumelos e que o meu paladar aceita da mesma maneira este prato que aquele que fazemos em casa com lingüiça feita com vinho, quando se cozinha a lingüiça até secar o vinho.

O “Filé alto de badejo com moquequinha de caju, mandioca e caju cozidos” a R$46,00 estava perfeito e o caju cozido desafiava a memória a descobrir que fruta era essa. A mandioca? Teria preferido outra coisa no lugar dela, não sei o que seria, pois sumiu no meio dos sabores.

Gera se deu mal com seu “Lombo grelhado com molho de cupuaçu e farofa de azeitona e damascos – R$32,00”, pois queria um prato “molhadinho” e ficou com o mais seco de todos.  Vou deixar para a Juliana e Cristina falarem de seus “Risoto de cogumelos frescos e castanha do Pará”, R$29,00 e “Steak de filé com crosta de manjericão e risoto de parmesão e manteiga”, R$41,00.

As jabuticabas colhidas na hora e servidas na mesa compensaram a falha do funcionário e sinto que estou pertinho da hora de gastar R$75,00 em um almoço e sair sem a sensação de estar deixando algo pra trás.

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7 Respostas para “06 de outubro – Hermengarda

  1. Sou suspeita para comentários hoje, pois a sugestão do restaurante foi minha. Mas não posso me furtar à responsabilidade do cargo. Vamos lá:

    1. Estou propositalmente tentando aprimorar o gosto do blogueiro que, há anos atrás, na época do saudoso Café Ideal, não acreditou que o cunhado ali levava a esposa para gastar com ela uma fortuna em um jantar a dois. Pensou tal despropósito em voz alta e na ocasião cometeu uma gafe e tanto aos ouvidos das mulheres da família. Mas como as pessoas podem mudar, e pra melhor, hoje ele tem ido nesses lugares com a Musa e com a comentarista e, se leva algum susto com a conta, pelo menos disfarça com elegância. O próximo da lista será o Taste Vin.

    2. Eu adorei o lugar, os pratos, a gentileza do Guilherme, que vai de mesa em mesa dando um tom íntimo ao almoço de domingo, ao ficar mais próximo dos clientes. Sua honestidade em admitir o erro do funcionário nos desarmou de cara, e não houve o menor espaço para que algum mau humor se instalasse e atrapalhasse nosso programa. Mas fica uma dica: nunca deixem de reservar mesa aos domingos, mesmo se acharem que o local estará vazio. Serviu pra gente aprender.

    Agradeço ao blogueiro, mais uma vez, pela oportunidade de passar o almoço de domingo em companhias pra lá de agradáveis.

  2. augustonobuteco

    Juliana, e a avaliação do prato em si? Augusto

  3. O “Steak de filé com crosta de manjericão e risoto de parmesão e manteiga” estava muito saboroso, ao ponto mais para bem passado, conforme pedi ao garçon, sem passar demais, o que geralmente acontece quando se pede para alterar o ponto do filé. O mais difícil é acertarem sem ressecar a carne. Pois neste dia deu super certo. Aprovei. O risoto, delicioso. E como sei que a Musa não irá falar, falo por ela. Ela elogiou várias vezes o “Risoto de cogumelos frescos e castanha do Pará”, impressionada que ficou com o sabor. Ficamos ambas satisfeitíssimas.

    Estou certa, Musa?

  4. Esse foi o texto mais didático que eu li aqui no blog até hoje.

    Realmente, para apreciar uma cerva de 50 pilas é necessário estagiar antes nas de 10, 20, 35 para enfim trocar uma oncinha por uma cervejinha.

    Juliana e seus comentário sempre pertinentes. Se o Augusto fosse quadrinista, Juliana seria a “arte-finalista” do blogueiro.

    Segundo Wikipédia:

    “Arte-finalista é o profissional que finaliza tecnicamente uma peça de design ou publicidade para o fim a que se destina, pois o seu suporte e execução pode influenciar tecnicamente o resultado final.”

    Abraço,
    Fabinho

  5. Juliana Borges

    Pois é, Fabinho, tomei gosto pela coisa.

    Como diz a música “Sonhos”, do Peninha:

    “Tudo era apenas uma brincadeira
    e foi crescendo, crescendo e me absorvendo
    E de repente eu me vi assim
    completamente seu…”

    Não deixo de passar por aqui um só dia.

    E se o blogueiro cometer o ato insano de acabar com o blog, nem sei o que será de mim…

    Que os leitores não deixem, jamais, que ele faça isso.

    Abraços e obrigada pelo incentivo à minha função. Juliana.

  6. Voltei das minhas férias (um pouco mais Bonito) e, antes de yahoo, orkut, etc, nada melhor que um augustonobuteco!

    Vi que a Juliana ganhou mais um incentivador!

    E vamo que vamo!

  7. Nossa, André, já estava aqui com saudades!

    Viu que chique?

    Com tanto incentivo acabo acreditando no talento, rsrsrs…

    Passa lá no Primaletra pra deixar umas palavrinhas pra mim.

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