18/11/09 – Casa do Porre

Criei uma expectativa muito grande quando soube que na Casa do Porre (Rua Mármore, 373, Santa Tereza, 2515-7149) teria Moda de Viola, Poesia e… Cachaça, mesmo sabendo que eu ainda não poderia beber nada.

         Reservei mesa com antecedência pelo telefone e cheguei cedo para conhecer este local que, funcionando apenas a um ano e meio, ostenta o título de “Referência Gastronômica da Veja deste ano, por ter a mais extensa carta de cachaça de Beagá. É um eufemismo falar em “carta de cachaças”, pois a escolha entre as mais de mil marcas tem que ser feita através dos vidros das trancadas à chave nas pratelerias espalhadas por todo o bar, inclusive nos banheiros masculino e feminino.

Caso o cachaçófilo não queira gastar muito e não seja muito exigente com a qualidade do que bebe, pode beber quanto quiser, escolhendo entre as mais de trinta marcas por apenas dez reais, que ficam sobre uma mesa no fundo do bar. As melhores marcas não freqüentam esta mesa.

Aproveitei a demora em começar os shows de viola e poesia para observar detidamente este bar que respira cachaça, desde o alambique colocado na entrada, simulando o funcionamento, passando pelas frases sobre cachaça espalhadas pelo bar, continuando pela exposição de tantas garrafas ofertadas e tantos rótulos afixados na parede até ao assunto conversado pelos fregueses.

Escolhemos uma porção de bolinho de feijão como entrada e um dos pratos principais, todos preparados com cachaça. Escolhemos o Cupim ao molho de cachaça (cheiro intenso de cachaça) que se apresentou quentinho em uma travessa de fracalanza, acompanhado de pãozinho novo, uma raridade em butecos. O prato era honestíssimo, mas antes do final já estava frio, devido ao potente ventilador que refrescava o ambiente e acabou refrescando também o meu cupim. No almoço estão servindo aquele serviço, no qual você escolhe a massa, o molho, os temperos e os condimentos e monta seu próprio prato.

Ninguém precisa pensar que se trata de um reduto de bêbados trocando as pernas ou dormindo com as cabeças apoiadas nas mesas. Nada disso, ambiente bem freqüentado, muito família, a grande maioria conhecida dos donos.

Tipos diversificados: senhoras de cabelo branco, jovens com bolsona a tiracolo na altura do joelho, homem velho com rabinho de cavalo, mulher de bata branca; parecia festa de fantasia dos anos setenta. Quase se poderia  dizer que é um bar retrô.

O ambiente é apertadinho, pois a casa que se transformou em bar tinha os cômodos muito pequenos. As desconfortáveis cadeiras me expulsaram logo que começou o atrasado show de moda de viola, que por sinal era de muito boa qualidade. Tem música ao vivo todos os dias com couvert a cinco reais.

Já na rua, quando saímos, chamou a atenção o fato dos vizinhos não reclamarem do barulho que vai até uma da manhã.

A poesia ficou pra outro dia.

 

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Uma resposta para “18/11/09 – Casa do Porre

  1. Augusto,

    Uma pena a poesia ter ficado para outro dia.
    O local é muito bom mesmo, também gostei. Apropriado para levar a família e um ou dois amigos. Não é para celebrar um “encontrão de final de ano”.
    Curiosamente, sentei nesta mesma mesa da foto.
    (nem tão curiosamente assim, porque só tem essa e mais umas duas hehehe)

    Abraço,
    Fabim.

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