15/12/10 – Roda Velha

Senti o preconceito contra as pobrezinhas quando um amigo me perguntou se eu sabia a procedência delas ao lhe contar da minha pretensão de comer algumas. Respondi com outra pergunta: – E você pergunta a procedência do porco quando pede um pão com lingüiça nas lanchonetes das estradas?

A dona do estabelecimento, no mercado há 14 anos viabilizando o acesso de interessados a este prazer, confirmou o preconceito quando me disse que certos fregueses namoram as bichinhas até por 5 anos para então criar coragem de pedir uma. E certo outro freguês não freqüentou mais seu bar quando soube da existência das mesmas na geladeira.

E foi sentado na varanda do Roda Velha, no Km 20 da BR 383, em São Brás do Suaçui – na estrada que liga Beagá a Tiradentes – que fiquei a pensar porque a palavra feminina “formiga” designa a fêmea e o macho desse inseto ate chegar a conclusão que era por causa da enorme bunda delas. E quando vi uma espécie da minha nova conhecida pelada como está na foto, com suas ancas bem delineadas, sua cintura fina, suas coxas fortes,  entendi o motivo de ser o macho e a fêmea nomeados também por um nome feminino.

Quando soube que pesavam, cada uma, 120 gramas e que custavam apenas R$7,00 a unidade, nem importei com o fato de estarem com esse aspecto de mutilada, sem cabeça e braços cortados. Encomendei duas a milanesa. A dona do bar, quando me serviu as duas , em pedaços, explicou-me que pode prepará-las inteiras, mas as pessoas preferem a passarinho para não verem esse aspecto humano das coitadas.

Então a dona me contou a procedência delas: as atuais vem de Betim mas anteriormente vinham de Jeceaba. Estão em processo de extinção pelo aquecimento e contaminação dos lençóis de água por agrotóxicos. Demoram seis meses para ficarem adultas quando atingem 200 gramas. Contou-me que, assim peladas, não é possível distinguir se são machos ou se são fêmeas e que são tratadas a ração e água com controle de cloro para sobreviverem.

Quando voltar lá vou pedir direito: – Por favor, solte duas rãs a milanesa, inteiras. – Quero tira gosto com jeito de antropofagia.

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8 Respostas para “15/12/10 – Roda Velha

  1. augustonobuteco

    Gu,
    que foto horrível.
    cristina.

  2. Eugenio Raggi

    Augusto,

    Cabra que tem medo ou nojo de perereca não deve ser assíduo de butecos.

    Vale pra vida.

    Abs!

    PS – Marcado dia 31 no Bar do Daniel, ou Bar Floresta, Rua Machado com Guanhães, que você já esteve, mas muito antes da gigantesca reforma. Merece um replay. Estaremos lá.

  3. Flavio Morais

    Hummm…
    Que delícia!
    Fiz um curso de ranicultura quando fazia Biologia e no final, após sacrificar os bichinhos e retirar a pele (que tem várias utilidades), fomos pro buteco da esquina, para degustá-las.
    Carne excelente, com baixo teor de gordura e muito saborosa.
    Boa pedida!

  4. augustonobuteco

    Flavio,
    já que você é formado em râs, pererecas e afins, talvez possa sanar a minha seguinte dúvida: A carne delas é “remosa” ? Você sabe o que é uma carne remosa?
    Um abraço,
    Augusto

  5. augustonobuteco

    Eugenio,
    bati ponto no Bar Floresta, conforme combinado.
    Cadê você, meu caro?
    Agora vou lhe convidar para conhecer o Bar dos Camundongos. Veja posto nesse blog pelo nome.
    Proponho dia 14/1 por volta das 20 horas. É que chego nessa hora em Beagá.
    Se não der para irmos juntos vá lá sozinho.
    É a essência de um buteco.
    Um abraço,
    Augusto

  6. Flavio Morais

    Me deixou curioso, Augusto!
    Será que é algo relativo ao “ranço” que se tira do frango caipira com uma água quente, ou quando se passa limão no peixe, pra tirar aquele cheirinho?

  7. Augusto,
    e você ainda não experimentou a deliciosa carne de rã servida lá no Roda Velha, pedeu uma grande oportunidade de se deliciar dessa maravilhosa carne, frequentadora desse Barzinho a mais de 10 anos, sempre aprecio uma rã com uma cerveja geladinha isso é muito bom, um sabor inexplicável.
    Em sua proxima ida ao Roda Velha experimente tenho certeza que vai adora.

  8. augustonobuteco

    Neusa,
    como não experimentei? E foram duas de uma única vez. E já voltei depois. São muito boas. Você mora por aí. Na quarta-feira que vem tô lá de novo. Aparece.
    Um abraço,
    Augusto

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