6/2/11 – Bar du João

Bar du João. Assim mesmo, com u em du, original, moderno, para diferenciar dos milhares de bares de joão existentes nesse mundo afora. Mas o diferencial entre esse e os outros não é apenas essa letrinha. Esta descoberta foi feita pelo Eugênio Raggi que me cantou a pedra desse bar na Rua Purus, 51 na Concórdia.

Eugênio o classificou como buteco-buteco, rústico, simplório, sem qualquer interesse em atrair clientes mais frescos, com aquele amontoado de quadro velhos e empoeirados como decoração, freezers pré-históricos e bagunça em meio a papéis, objetos estranhos, centenas de marcas de cachaça, CDs e DVs. Enfim, disse ele, um buteco síntese, com frequencia de gente simplória e pouco dinheiro no bolso, mas que vale muito a pena.

Chego lá e encontro um mesa de truco na calçada, com cartas no peito, muitos sapos e tudo mais que um bom truco exige. Muita conversa alta, muito barulho, apenas uma mulher em uma multidão masculina. E um corpo estendido no chão, na sombra sem causar nenhuma espécie a ninguém.

Encaro uma porção de carne de panela (R$3,00). Quando pedi um pãozinho de acompanhamento o João me disse que se eu comprasse o pão na padaria ao lado ele o fatiaria pra mim. Comprei pão para essa porção e para outra que veio em seguida e para o último joelho de porco (R$5,00) que ainda sobrava no recinto.  E cerveja a R$4,00. O Eugênio estava certo: é o que há de melhor em se tratando de baixa gastronomia. Recebi, grátis, um reforço no molho com a advertência do João: – O melhor tira gosto que existe é pão com molho.

Descobri que posso pegar um ônibus em casa que passa na porta do João. Vou lá numa segunda experimentar uma carne cozida com jiló (R$3,00) ou numa terça me fartar de pescoço de perú a R$1,00 cada, ou na quarta ver como é a dobradinha que custa R$2,00 a porção, ou na quinta para um joelho de porco maior que o que comi ou moela a R$2,00 ou almondegas a R$1,50 cada. Mas pretendo começar pela sexta para a língua recheada com bacon por R$6,00.

Os colegas do homem que dormia à sombra, talvez por já estarem  acostumados com os caprichos dele, deixaram-no  tranquilo alí, na sombra. E eu, como não sou de deixar um colega de trabalho, deitado, para trás, no campo de batalha, coloquei-o de pé, virtualmente. Salve, Eugênio!

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6 Respostas para “6/2/11 – Bar du João

  1. Eugenio Raggi

    Augusto,

    Sensacional a foto. Fico feliz que tenha gostado. Quando for lá numa happy-hour de sexta-feira por favor me dê o toque por email que te passo meu celular pra gente se encontrar. Nesse dia ele faz um tropeiro que é também pura nobreza.

    Abração!
    Eugenio

  2. Augusto,
    Parabéns pelo desbravamento de tantos tesouros escondidos pela cidade!
    Continuo por aqui acompanhando cada uma das preciosas resenhas, e também descobrindo novos pousos, agora que troquei o Leste pelo Oeste de BH.
    Um abraço,
    Pedrão

  3. augustonobuteco

    Pedrao,
    quando voce vai me dar uma boa dica?
    Voce tem jeito que conhece uns bons.
    Um abraco,
    Augusto

  4. Fantástico este blog, dá vontade de imprimir cada post e ir no buteco com a desculpa de ver se é verdade o que tá escrito. Quero ver mais lugares feios, simples e sinceros, como esse.

  5. augustonobuteco

    Daniel,
    acredito que você pode ainda se surpreender além do texto.
    Obrigado pelo acesso e pelos parabéns.
    Um abraço,
    Augusto

  6. José Maurício

    Augusto, as fotos dos quadros, calendários e cartazes afixados nas paredes do bar do João, inclusive a homenagem ao Club Atlético Mineiro (GALO FORTE E VINGADOR) que estava na prateleira, retratam bem a história, a alma do bar. O bêbado deitado em pé também. E o jogo de truco. As três senhoras passando com bobs no cabelo, as roupas estampadas e terrivelmente coloridas. O bar conserva a história do bairro. Feito o bar do Peru na Montes Claros. Os sobreviventes do Anchieta, um público cativo que o frequenta há anos, se reúne, a além de futebol, dão notícias das histórias, das mudanças que vão ocorrendo no bairro. Ali era a casa de fulano, morreu, o filho vendeu, é deputado, ladrão. O pai não, era gente boa, honesto, bebia aqui conosco… Até marcas de babidas que não existem mais estão nas prateleiras.
    Falar nisso, o parque Municipal está ficando pelado. Vão derrubar por volta de 250 árvores e podar mais um tanto. Um dos Pau Rei vai ser exterminado. Mas o Pau Mulato tá lá forte, com uma fita verde. Fita vermelha, extermínio, fita branca, poda, fita amarela, indecisão e a fita verde salva a árvore de qualquer intervenção. Quero ver se eles vão tirar o maior Guapuruvu da cidade, ao lado do antigo Imaco. A árvore que caiu, matou a mulher, e deu início a tudo isso, era um Jatobá. As árvores, por ficarem paradas, parecem eternas. Mas têm vida útil que nem nós. Os bares também. Viva o Bardoaugusto!

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