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Restaurante Maurício – 1/3/13

Editada

 

Meu pai me pediu algum tempo atrás para ir a um restaurante na Savassi experimentar um PF que seria motivo de longas filas no horário do almoço. Como o tal restaurante, que leva o nome do dono Maurício (não confundam com o self-service de mesmo nome na Avenida do Contorno, apenas teorizem sobre a possível falta de criatividade ou sobra de narcisismo de pessoas com o nome Maurício), só abre durante a semana, meu pai, que não chama Maurício, mas que também deixa homônimos por aí, me pediu para ser o crítico da vez. Então, aproveitando que essa minha vida de solteiro de mãe me tornou um expert em PFs, fui lá conferir o motivo de tanta fila em uma região com tantos restaurantes.

O Maurício Restaurante fica na Rua Paraíba 1064, no coração da “savassinha ensandecida”, e serve de segunda a sexta no horário do almoço, uma opção de prato-feito (que muda a cada dia) pelo valor de 10 reais. Apesar do preço ser acessível para uma região que investe milhões em fontes e bancos anti-mendigo, ele por si só não justificaria o fato do Maurício ser um hit gastronômico do quartier-latin belo horizontino, já que ali existem lugares onde se pode encher a pança sem balança (*só uma carne *lasagna é carne) por menos de 8 reais.

Então, fazendo às contas, passando à régua, noves fora, a comida tem que ser boa, certo? Errado. Tem que ser boa pra caralho. Eu comi lá um prato com lingüiça, tropeiro, couve, arroz e ovo e, buscando fundo na memória já que isso foi a mais de um mês (sou um procrastinador; perguntem minha mãe), me lembro de ter pensado: foda-se self-service, isso aqui é amor. Tudo estava saboroso, quentinho, simples e certeiro. E isso é tudo que vocês precisam saber: vale à pena ficar em pé na fila, sob o sol de meio-dia, ignorando os dois restaurantes ao lado e os outros três em frente, para bater um PF no Maurício.

 

Não se preocupem em ler o resto do texto, pura encheção de lingüiça, filosofia de buteco, prolixia de principiante. Mas, na falta de algo melhor no facebook, vem comigo.

 

Não demorei pra conseguir um lugar pra sentar no Maurício (dei sorte, momento depois se formou uma fila de umas oito pessoas). A garçonete que me recebeu falou de cara: “tem que sentar junto” (já foi me conquistando). Então  sentei-me com um senhor com pinta de funcionário de locadora de veículos, que já estava entretido com sua lingüiça – limitando nossa interação a apenas alguns olhares respeitosos – e pedi a minha. Enquanto esperava fiquei ali reparando o tanto de executivos que dispensaram o prato executivo pelo prato-feito. Pelo visto o Maurício estava repleto de nativos; gente que praticamente mora na Savassi, que está ali todos os dias de 9 as 5, e que, ao contrário de nós turistas de fim-de-semana, sabe o que é bom.

Depois de alguns minutos meu prato chegou e o desenrolar desse ménage entre eu, minha lingüiça e minha couve vocês já sabem. O que vocês não sabem é que junto com meu prato veio um novo colega de mesa: muito mais falante e acompanhado por uma Bhrama (apesar do seu crachazão à mostra no peito). Trocamos algumas palavras e quando pedi uma Coca-Cola ele me aconselhou: “tropeiro combina mais com cerveja”. Eu estava decidido a ir em frente com meu refrigerante quando lembrei que tinha pouquíssimo dinheiro na carteira; olhei preocupado pra bancada do caixa procurando a maquininha de cartão e nada. O Maurício, que estava ali o tempo todo (como deve ser em um bom restaurante) conversando com clientes, acertando as contas, me confirmou: só dinheiro. Cancela a Coca! Contei todas as moedinhas e não dava nem pro PF. Abaixei o garfo e expliquei pro Maurício que havia sido pego de surpresa, mas que poderia sacar a grana e coisa e tal, mas antes que eu sugerisse lhe conceder a posse dos meus documentos, aparelho celular, cpf, título de eleitor e etc., o Maurício, com um simples “não se preocupe”, fechou aquela experiência com chave de ouro e me liberou da minha dívida. Ele sabe que eu vou voltar.

Texto Daniel Iglesias.

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3 Respostas para “Restaurante Maurício – 1/3/13

  1. Adriana Murta

    Ótima resenha!!! Fiquei muito curiosa com o lugar!!

    Abç

  2. augustonobuteco

    Adriana,
    você logicamente percebeu que o texto é do Daniel, não é mesmo? Uma pena é que ele não queira escrever mais vezes.
    Um abraço,
    Augusto

  3. Adriana Murta

    Sim. Vi que quem assinou a crítica foi ele. É uma pena realmente, seu texto é muito bom de ler!

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