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Mercearia do Bertolino – 15/4/13

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Alguém disse que a Mercearia do Bertolino iria se transformar, em breve, numa nova Mercearia Lili. Não sei o que o dono pensa, mas se me fosse dado o direito de definir o futuro das coisas, estabeleceria que ficasse eternamente como ela é agora.

 

Com suas prateleiras cheias de produtos à venda a preços anotados na prateleira embaixo de cada produto. Deixaria os grandes sacos de ração para cachorro próximo a uma das portas como está agora e manteria a caixa com vassouras e rodos bem próximo ao meio fio, para quem passasse de carro soubesse que ali funciona de fato uma mercearia. E que tudo aquilo não era decoração.

 

Com seu público voltado para os vizinhos do bairro, público que aceitasse um eventual curioso e o tratasse como se fosse conhecido de longas datas, oferecendo conversa amistosa e despretensiosa.

 

Sem mesas ou cadeiras, mantendo apenas um tronco grande de árvore a servir de mesa e outros dois troncos menores a servir de cadeiras para atender a mulher de alguém freguês que tenha trazido o filho de colo e precise acomodar aí a mamadeira e os sapatos da criança e conversar com a esposa de outro freguês.

 

Não impediria a presença de crianças de forma que os fregueses pudessem, facilmente, exibir orgulhosos os filhos que lhe ocupariam os postos no futuro.

 

Manteria a passagem secreta dos fundos que leva a outro bar de forma que ninguém da vizinhança torcesse o nariz para os passos, eventualmente, trôpegos de seus fregueses.

 

Não mexeria na arquitetura da pequena área em frente, mantendo a árvore e o cercado que continuaria a servir tanto para apoio de copos, garrafas e pratinhos de tira-gosto bem como proteção contra carros apressados que errassem a curva naquela esquina da Rua Sabará 726 (3442-1460) no Colégio Batista.

 

Obrigaria os sucessores do Bertolino a continuar fornecendo generosas porções de torresmo de graça aos domingos e a surpreender os fregueses, eventualmente, com porções de almôndega ou lingüiça a R$2 cada unidade.

 

Manteria o garçom atrás do balcão, obrigando os fregueses a buscarem suas cervejas dentro do bar. E continuaria a incentivar seus fregueses a comprarem pepinos, tomates, cebolas e outros legumes no sacolão em frente e preparem seu tira-gosto vegetariano.

 

E deixaria que a Mercearia do Bertolino continuasse a representar para sempre o que há de mais autêntico em um butiquim de bairro.

 

 

 

 

 

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